A disputa entre Estados Unidos e China pelo desenvolvimento da inteligência artificial deve ocupar parte central da reunião entre Donald Trump e Xi Jinping. O encontro está marcado para a quinta-feira (24), na Casa Branca, durante a visita do líder chinês a Washington.
Trump afirmou nas redes sociais, na segunda-feira (21), que os Estados Unidos estão à frente da China na área e que não pretende limitar o avanço da tecnologia. “Quem vencer na IA, vence”, disse o presidente americano.
A China, por sua vez, tenta ampliar sua influência na definição de regras internacionais para a inteligência artificial e busca apoio de nações em desenvolvimento. Pequim também critica os esforços americanos para formar uma aliança que deixe o país de fora.
Os Estados Unidos restringem a venda à China dos chips de inteligência artificial mais potentes e acusam desenvolvedores chineses de acessar modelos americanos em escala industrial para extrair suas capacidades. Pequim responde que a chamada destilação é usada amplamente, inclusive por empresas dos Estados Unidos, e acusa Washington de tentar monopolizar o setor.
No domingo (20), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que os Estados Unidos propuseram um mecanismo para comunicar incidentes de inteligência artificial capazes de afetar a segurança nacional. A declaração foi dada depois de uma reunião com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, em Nova York.
“Passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maiores potências de IA do mundo é muito importante”, afirmou Bessent.
Taiwan na agenda
A questão de Taiwan também deve ser discutida. A legislação americana obriga os Estados Unidos a fornecer à ilha os meios para se defender, embora os dois não mantenham relações diplomáticas formais. O governo taiwanês rejeita as reivindicações de soberania de Pequim.
Fontes familiarizadas com as conversas preparatórias disseram que a China pode apresentar sua interpretação do terceiro dos três comunicados conjuntos assinados pelos dois países em 1982.
Trump aprovou, em seu primeiro mandato, mais vendas de armas para Taiwan do que qualquer outro presidente americano, além de ter autorizado mais operações desse tipo em seu segundo mandato, no primeiro ano, do que Joe Biden em seus quatro anos de governo.
Xi embarcou em Pequim rumo aos Estados Unidos às 6h desta quarta, no horário de Brasília. Ele deve chegar à Base Aérea Andrews, em Washington D.C., na noite desta quarta, quando será recebido por Trump. A programação termina na sexta (25), com uma cerimônia do chá oferecida por Melania Trump e uma visita ao Arquivo Nacional, antes do retorno de Xi e de sua mulher a Pequim.


