WASHINGTON — Donald Trump receberá Xi Jinping na Base Aérea Conjunta Andrews, em Washington, nesta quarta-feira, sem uma reunião formal prevista para o dia. As conversas entre os dois líderes estão marcadas para a quinta-feira (24), na Casa Branca.
A agenda oficial termina na sexta-feira (25), com uma cerimônia do chá oferecida por Melania Trump e uma visita ao Arquivo Nacional. Depois, Xi Jinping e sua mulher retornam a Pequim.
A inteligência artificial estará entre os principais temas de disputa entre Estados Unidos e China. Os dois países mantêm políticas para ampliar suas capacidades no setor, apesar dos alertas de executivos de tecnologia sobre os riscos de uma inteligência artificial fora de controle.
Trump tem repetido que “Quem vencer na IA, vence”. Na segunda-feira (21), afirmou nas redes sociais que os Estados Unidos estão à frente da China e que não pretende restringir o crescimento da tecnologia, que, segundo ele, poderá superar a Revolução Industrial e a internet.
Disputa tecnológica e segurança
Chen Yixin, chefe do Ministério da Segurança do Estado da China, afirmou em um artigo que a inteligência artificial representa uma ameaça direta ao domínio do Partido Comunista se forças estrangeiras e hostis alcançarem capacidades superiores.
Os Estados Unidos restringem a exportação para a China dos chips de inteligência artificial mais potentes e acusam desenvolvedores chineses de acessar modelos americanos em escala industrial para extrair suas capacidades. Pequim responde que a chamada destilação é amplamente usada, inclusive por empresas americanas, e acusa Washington de tentar monopolizar o setor.
A China também contesta os esforços americanos para formar uma aliança que a exclua. Como alternativa, busca estabelecer diretrizes globais de segurança para a inteligência artificial com apoio de países em desenvolvimento.
Após se reunir no domingo (20), em Nova York, com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que Washington propôs um mecanismo de notificação para incidentes de inteligência artificial capazes de afetar a segurança nacional. Para Bessent, “passar da opacidade para uma maior transparência” entre as duas maiores potências de IA é importante.
Taiwan
A situação de Taiwan também pode ser levada à reunião. Três fontes familiarizadas com as discussões entre os governos disseram que a China provavelmente apresentará sua interpretação do terceiro dos três comunicados conjuntos assinados pelos dois países em 1982.
Os Estados Unidos são obrigados por lei a fornecer a Taiwan meios de defesa, embora não mantenham relações diplomáticas formais com a ilha. O governo taiwanês rejeita as reivindicações de soberania de Pequim.
No primeiro mandato, Trump aprovou mais vendas de armas para Taiwan do que qualquer outro presidente na história. No segundo, autorizou mais no primeiro ano do que Joe Biden em seus quatro anos de governo.


