O governo brasileiro avalia a declaração do Escudo das Américas que apoia a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas. O comunicado foi emitido nesta terça-feira (22), às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, depois dos discursos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A diplomacia brasileira não tinha conhecimento prévio da iniciativa. O documento prevê congelamento de ativos, restrições de visto e responsabilização criminal para pessoas que ofereçam apoio material aos grupos. Além das organizações brasileiras, mais de duas dezenas de grupos da região foram incluídos, entre eles a organização equatoriana Los Lobos.
Países signatários
Integram a aliança Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Escudo das Américas foi criado pelo governo Trump e reúne países com governos conservadores alinhados ao presidente dos Estados Unidos.
Durante a reunião da ONU, Trump declarou que seu apoio foi decisivo para a eleição de presidentes desses países. Ele citou Abelardo de la Espriella, da Colômbia, e Javier Milei, da Argentina. O presidente americano também afirmou que classificou cartéis de drogas como organizações terroristas ao assumir o cargo e comparou esses grupos ao Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental.
Uma fonte ouvida sob reserva avaliou que a decisão não era inesperada e que seus efeitos colaterais seriam reduzidos. Essa avaliação mencionou a postura de Milei, que já se referia a organizações semelhantes como narcoterroristas, além da proximidade dos governos signatários com Washington. A preocupação apontada foi o eventual uso da força na região, considerado independente da nova declaração.
Pressão sobre Brasília
A classificação do PCC e do Comando Vermelho passou a valer no fim de maio deste ano. Na semana passada, Trump cobrou do Brasil medidas mais duras contra o crime organizado em um relatório anual, recebido com preocupação pelo governo Lula.
No discurso desta terça-feira, Lula rejeitou a ideia de uma atuação externa para garantir a segurança regional. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, afirmou.
O presidente disse ainda que o Brasil pretende combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. A segurança pública ocupa espaço central no debate eleitoral brasileiro, enquanto a declaração é divulgada em um período de tensão nas relações entre Brasília e Washington.


