GAZA — Ao menos 20 pessoas morreram nesta quarta-feira (16) após o desabamento de um edifício danificado por ataques aéreos na Faixa de Gaza. Entre as vítimas estão 5 crianças. Dezenas de pessoas continuam desaparecidas sob os destroços, enquanto equipes de resgate procuram sobreviventes.
A Defesa Civil de Gaza informou que o imóvel tinha sete andares e quatro apartamentos residenciais por piso. A estrutura havia sido atingida várias vezes durante a guerra nos últimos dois anos. Embora as autoridades tivessem recomendado que os moradores não retornassem, muitos voltaram ao local. Ao menos dez famílias viviam no prédio.
Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil, afirmou que a falta de moradias levou pessoas a permanecer em construções comprometidas. “Sem tendas ou moradias disponíveis, estão vivendo em prédios rachados e danificados, apesar do risco de desabamento”, disse.
A Defesa Civil estima que cerca de 2.000 edifícios danificados em Gaza estejam sob risco de colapso. O escritório de imprensa do governo local atribuiu a queda aos atrasos na reconstrução prometida para o território.
Resgate sem maquinário suficiente
As equipes palestinas enfrentam restrições à entrada de equipamentos, incluindo kits de DNA e escavadeiras. Israel afirma que esses materiais também poderiam ter uso militar. Em alguns pontos, os socorristas retiram os escombros com as próprias mãos.
Alessandro Mrakic, chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em Gaza, disse que agências da ONU participam das buscas, com apoio da agência de ajuda humanitária do Egito. “Há pessoas cavando com as próprias mãos”, afirmou.
Desde novembro de 2025, a Defesa Civil palestina diz ter recuperado mais de 630 corpos e restos humanos sob prédios destruídos. Autoridades palestinas estimam que mais de 8.000 pessoas ainda estejam soterradas.
Israel ameaça retomar ofensiva
Em paralelo às operações de resgate, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o país pode retomar a guerra em larga escala em Gaza e iniciar a expulsão dos cerca de 2 milhões de palestinos do território. Ele afirmou que o desarmamento do Hamas, previsto no cessar-fogo de outubro de 2025, não ocorrerá e que o Exército está preparado para uma nova ofensiva.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, negou a existência de um plano para deslocar pessoas de Gaza contra a vontade delas.
Na terça-feira (15), o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, disse que a recuperação de corpos reacendeu preocupações sobre possíveis crimes de guerra. Um relatório da ONU de 2024 havia apontado que ataques israelenses contra edifícios residenciais e outros locais civis nas primeiras semanas da guerra poderiam ter violado o direito internacional humanitário.
Israel rejeita as acusações de ataques deliberados contra civis. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, acusou Türk de ignorar abusos do Hamas e de responsabilizar Israel antes da conclusão das investigações. Israel afirma que o grupo atua em áreas civis e usa a população como escudo humano, o que é negado pelo Hamas. A ONU pede acesso de investigadores internacionais a todas as áreas de Gaza para preservar evidências.


