O governo do Equador afirmou nesta sexta-feira (4) que as operações dos Estados Unidos contra três embarcações equatorianas foram realizadas com apoio de investigações conjuntas voltadas ao combate ao tráfico de drogas. As ações ocorreram nesta semana e incluíram a interceptação e o afundamento dos barcos.
O ministro do Interior, John Reimberg, disse à emissora Teleamazonas que as embarcações eram usadas como pontos flutuantes de reabastecimento. Segundo ele, a estrutura ajudava lanchas rápidas a levar drogas para o norte, em direção ao México e aos EUA. "Esse é um trabalho realizado por meio da cooperação internacional", afirmou.
O Comando Sul dos EUA declarou que os barcos tinham ligação com Los Choneros, facção criminosa equatoriana considerada um grupo terrorista por Washington. O grupo ganhou projeção em meio à onda de violência que atinge o Equador.
As autoridades americanas divulgaram um vídeo com imagens monocromáticas de agentes se aproximando de uma embarcação e subindo a bordo antes de uma explosão no mar. A data e o local da gravação não puderam ser verificados de forma independente.
Familiares contestam a operação
Parentes de alguns tripulantes rejeitaram a versão apresentada pelos governos. Rosalba, esposa de um dos homens e identificada por telefone apenas pelo primeiro nome, disse que eles pescavam quando foram abordados. Ela afirmou que a embarcação levava somente peixes, que nenhuma droga foi encontrada e que o ataque ocorreu em águas equatorianas, não internacionais.
"Não entendo por que o governo dos EUA tem de agir de forma tão arbitrária", disse Rosalba, acusando Washington de violar os direitos dos pescadores. O relato não pôde ser confirmado de forma independente.
A Marinha equatoriana informou que 28 tripulantes de duas embarcações chegaram a Manta às 15h, no horário local, transportados por uma embarcação da guarda costeira. As operações integram uma campanha mais ampla dos EUA contra o tráfico marítimo de drogas no Pacífico, que recebeu críticas de grupos de defesa dos direitos humanos e provocou preocupação na América Latina sobre o uso da força no mar.


