O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (16) um relatório assinado por Trump e encaminhado ao Congresso norte-americano que acusa o Brasil de não enfrentar adequadamente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O documento apresenta um panorama do tráfico de drogas no mundo e é enviado anualmente ao Legislativo dos EUA.
O relatório pede que o governo Lula adote, "com urgência, medidas enérgicas para enfrentar" as duas facções, incluídas recentemente pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas. O texto afirma que, enquanto governos de outros países do Hemisfério Ocidental tomam medidas para erradicar cartéis, o Brasil não estaria enfrentando o PCC e o CV.
Segundo o documento, os grupos brasileiros "transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína". Trump também afirma que as facções representam uma ameaça à segurança mundial e sustenta que o governo brasileiro precisa agir para impedir que elas se espalhem e cresçam.
Críticas a outros países
Além do Brasil, o relatório critica China, Canadá e México. Sobre o governo canadense, o documento pede medidas para encerrar laboratórios clandestinos de drogas. Em relação ao México, exige ações contra organizações narcoterroristas que controlam territórios no país.
A China também é mencionada. Trump afirma que conversou com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos Estados Unidos, mas diz que Pequim precisa reduzir o fluxo de substâncias utilizadas na produção da droga.
O relatório enviado ao Congresso dos EUA na terça-feira (15) também elogia países sul-americanos governados por aliados. Venezuela, Bolívia e Colômbia são citadas de forma positiva, embora o documento diga que ainda são necessárias novas medidas. Mudanças recentes de governo em alguns países, segundo o texto, "criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos".
O documento ainda relaciona Costa Rica, República Dominicana e El Salvador como locais de trânsito ou produção de drogas que receberam críticas. O Brasil não aparece nessa relação. Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia são apontados como países que, no último ano, não cumpriram as obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.

