O governo Donald Trump criticou a atuação do Brasil contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho em um documento enviado nesta terça-feira (15) ao Congresso americano. A Casa Branca afirmou que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína e cobrou medidas para combater os grupos.
O relatório anual identifica países considerados grandes produtores de entorpecentes ou rotas importantes de narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros. Neste ano, 23 países foram classificados nessas categorias, entre eles México, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e Equador. O Brasil não aparece na relação.
O país também não foi incluído no grupo de governos que, na avaliação americana, não fizeram esforços suficientes para cumprir compromissos de combate às drogas. A lista reúne Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia. O próprio documento ressalva que a inclusão de um país nas classificações não representa necessariamente uma avaliação negativa sobre seu governo, porque fatores geográficos, comerciais e econômicos também são considerados.
Apesar disso, Trump dedicou um trecho específico ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O texto afirma que o Brasil “falhou em confrontar” o PCC e o Comando Vermelho e sustenta que os grupos representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais. A Casa Branca disse ainda que o governo brasileiro precisa adotar medidas agressivas para enfrentar e derrotar as facções.
A menção ao Brasil não aparecia no relatório de 2025. A mudança ocorre em meio à pressão americana sobre os dois grupos. Em 28 de maio, o secretário de Estado Marco Rubio classificou PCC e Comando Vermelho como terroristas globais especialmente designados. A decisão foi publicada no início de junho.
A declaração acrescentou um novo ponto de tensão na relação entre Lula e Trump, que também envolve comércio, minerais críticos, crime organizado e tarifas sobre produtos brasileiros. Em maio, os dois presidentes se reuniram na Casa Branca por cerca de três horas. Depois, Flávio Bolsonaro pediu a classificação das facções como organizações terroristas internacionais, medida à qual Lula se opôs.
O documento também elogia governos latino-americanos. Trump afirmou que mudanças políticas na América do Sul ampliaram as possibilidades de cooperação com Washington. A Venezuela foi retirada da lista de governos que falharam de forma demonstrável em seus compromissos antidrogas após a saída de Nicolás Maduro do poder, embora continue classificada como rota importante de trânsito ou produção de entorpecentes.
A Casa Branca citou ainda mudanças políticas na Bolívia e na Colômbia e mencionou positivamente a presidente peruana Keiko Fujimori. Argentina, Equador e El Salvador foram descritos como aliados dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico.

