Os houthis afirmaram ter realizado uma operação ampla contra alvos na Arábia Saudita, com o uso de drones e mísseis. As autoridades sauditas relataram incêndios e informaram que mais de 70 pessoas ficaram feridas, incluindo mulheres e crianças.
A ofensiva atingiu quatro cidades do sul saudita. Em Khamis Mushait, o alvo foi uma base aérea. Em Abha, Najran e Jazan, os ataques atingiram instalações pertencentes à estatal petrolífera do país. Najran fica na fronteira com o Iêmen. Jazan, no mar Vermelho, abriga uma refinaria e uma usina de energia.
Imagens de satélite da Nasa registraram uma nuvem de fumaça preta sobre a refinaria de Jazan e fumaça branca sobre um centro de distribuição de petróleo em Abha. Ainda não havia imagens confirmadas das consequências dos ataques, e não foi possível contatar testemunhas em um país onde a imprensa é rigidamente controlada.
Reação e escalada regional
Turki al-Malki, porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, disse que o grupo seria enfrentado. “A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista e confrontará resolutamente sua abordagem hostil”, afirmou em comunicado divulgado pelo X.
Yahya Saree, porta-voz dos houthis, acusou Riad de intensificar a guerra com ataques aéreos contra o Iêmen e declarou que o grupo responderia. Os rebeldes também disseram à AFP que a Arábia Saudita realizou bombardeios nesta terça-feira (8).
As fotos divulgadas pelos houthis sobre explosões de caminhões sauditas atingidos em ataques na fronteira, em outra área, são de segunda-feira (7). Os registros não comprovam as consequências dos ataques às cidades sauditas.
A ofensiva ocorreu durante uma retomada dos combates no golfo Pérsico, após um mês de calmaria em agosto. Irã e Estados Unidos voltaram a trocar ataques, e os preços globais do petróleo se aproximaram de US$ 100 por barril, nível ultrapassado no auge da guerra. Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmou que a ofensiva houthi tem “mãos iranianas” por trás. A União Europeia pediu o fim dos bombardeios.
Combates no Iêmen
Os houthis controlam a maior parte das áreas povoadas do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa. O grupo não controla propriamente o estreito de Bab al-Mandeb, mas domina trechos importantes da costa iemenita próximos à via marítima e tenta avançar sobre áreas costeiras mantidas por grupos apoiados pelos sauditas.
Mais de 500 pessoas morreram desde o início, na semana passada, de uma ofensiva houthi para avançar em direção a essas áreas, segundo uma contagem baseada em fontes dos dois lados. A Organização Internacional para as Migrações informou que mais de 18.500 pessoas deixaram suas casas por causa dos combates ao longo da costa oeste do Iêmen nos últimos três dias.
Com o estreito de Hormuz fechado pelo Irã, parte relevante da produção saudita destinada à Ásia depende da passagem por Bab al-Mandeb. A possibilidade de interrupção do fornecimento de energia também pode afetar os mercados globais.


