ISRAEL — A Suprema Corte de Israel deverá analisar os recursos apresentados pelo Ra’am e pela Lista Conjunta Árabe contra a decisão que os impede de disputar as eleições parlamentares do próximo mês. As duas legendas afirmaram que recorrerão da medida, que ainda não entrou em vigor.
O Comitê Central de Eleições aprovou por 18 a 5 a desqualificação do Ra’am e repetiu o placar ao excluir a Lista Conjunta, formada por Hadash, Ta’al e Balad. O órgão é composto principalmente por integrantes do Knesset e tem maioria de políticos da coalizão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.
As petições foram apresentadas por partidos da coalizão de Netanyahu. O Likud protocolou pedidos contra as duas legendas. O Poder Judaico, partido do ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e um grupo que representa vítimas de ataques terroristas também apresentaram uma ação contra o Ra’am, liderado por Mansour Abbas.
Os autores das petições sustentam que os partidos se enquadram em uma regra que impede a participação eleitoral de legendas que neguem a existência de Israel como Estado judeu e democrático ou incitem o racismo. As duas desqualificações tiveram oposição do gabinete do procurador-geral.
Disputa por maioria no Knesset
A decisão ocorre em uma eleição na qual os partidos árabes podem influenciar a formação do próximo governo. Pesquisas recentes atribuem cerca de 54 cadeiras aos partidos da oposição sionista, enquanto o bloco de Netanyahu tem oscilado em torno de 50. O Knesset tem 120 assentos, e são necessárias 61 cadeiras para formar maioria parlamentar. Em algumas pesquisas, o bloco do primeiro-ministro superou a oposição.
O Ra’am tem cinco cadeiras no atual Knesset e foi o primeiro partido árabe-israelense a integrar um governo do país, ao entrar na coalizão do ex-premiê Naftali Bennett, em 2021. A legenda já reconheceu Israel como Estado judeu.
Neste mês, Abbas incluiu o ex-comandante da polícia Yoav Segalovich em segundo lugar na lista de candidatos do partido. No início deste ano, também desvinculou o Ra’am de um conselho islâmico que tradicionalmente ajudava a definir suas políticas.
O Ra’am classificou a decisão como "inaceitável" e parte de uma "campanha contínua de deslegitimação". A Lista Conjunta a chamou de "política, racista e antidemocrática". A Suprema Corte estabeleceu critérios rigorosos para excluir partidos e anulou proibições impostas a partidos árabes em 2019 e 2022.
Na quinta-feira, o comitê eleitoral analisará petições contra o Poder Judaico, o Sionismo Religioso, liderado pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich, e os Democratas, de esquerda, liderados por Yair Golan.


