A queda dos atentados terroristas de grande escala não eliminou os riscos à segurança internacional. No período posterior ao 11 de Setembro, conflitos entre Estados, avanços tecnológicos, instabilidades políticas e novas formas de violência passaram a compor um cenário mais amplo e difícil de monitorar.
O ano de 2014 teve cerca de 17 mil ataques, o maior número registrado pelo Índice de Terrorismo Global, do Instituto para Economia e Paz, da Austrália. Em 2025, foram pouco menos de 3.000, dos quais 3% ocorreram em países do Ocidente. Desde os atentados contra as Torres Gêmeas, o Pentágono e a Pensilvânia, não houve outro ataque de grandes proporções em solo americano.
A Al Qaeda perdeu força depois da morte de Osama bin Laden e hoje atua principalmente em países africanos. O Talibã, que havia sido retirado de Cabul por abrigar terroristas, voltou ao poder após a retirada americana de 2021. O Estado Islâmico perdeu sua estrutura militar e mantém células ativas da Rússia ao Afeganistão.
Vigilância e novas armas
A resposta dos Estados Unidos aos ataques redefiniu práticas de segurança. Criada a partir da tragédia, a agência de segurança aeroportuária TSA consumirá US$ 8 bilhões em 2026 e tem 58 mil funcionários autorizados a abrir determinados cadeados de bagagens.
A expansão da vigilância alcançou satélites, câmeras de rua, drones e recursos cibernéticos. Ao mesmo tempo, o Congresso dos EUA identificou falhas no monitoramento de ameaças domésticas, que incluem jihadistas, radicais de esquerda e supremacistas brancos.
A tecnologia também ampliou a capacidade de grupos menores. A Ucrânia demonstrou o impacto que drones escondidos em caminhões podem causar contra uma potência nuclear. No ambiente virtual, ataques contra redes elétricas, usinas nucleares e sistemas de controle de voo são tratados como riscos constantes, com possibilidade de produzir um evento de grandes proporções.
Competição entre potências
A rivalidade entre Estados voltou ao centro da segurança mundial. Em 2017, Donald Trump reagiu à atuação mais assertiva da China sob Xi Jinping com a chamada Guerra Fria 2.0. Cinco anos depois, Vladimir Putin invadiu a Ucrânia, em uma ação que passou a ameaçar uma escalada envolvendo a Otan e um possível conflito nuclear.
O risco aumentou com o desmantelamento do sistema de controle de armas atômicas. De volta à Casa Branca, Trump adotou uma política isolacionista, tentando reduzir compromissos com aliados enquanto empregava força militar. O texto associa essa orientação às ações na Venezuela e, principalmente, ao Oriente Médio após o ataque ao Irã em fevereiro.
O conflito também se conecta à violência entre Israel e o Hamas, após o ataque de 2023. A resposta israelense e a atuação de Teerã contra países vizinhos contribuíram para uma aproximação entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. Nesse ambiente, o equilíbrio regional passou a depender de ameaças entre potências muçulmanas.
O cenário inclui ainda o avanço de nacionalismos europeus e as oscilações do preço do petróleo. Assim, o período iniciado no século 21 após os atentados reúne menos ataques terroristas de grande escala, mas uma variedade maior de ameaças militares, tecnológicas e políticas.


