Rússia e Coreia do Norte inauguraram nesta segunda-feira (7) a primeira ponte rodoviária entre os dois países. A estrutura, sobre o rio Tumen, tem 1 km de extensão e duas pistas. Caminhões decorados com bandeiras foram os primeiros veículos a atravessar a ligação, apresentada pelos governos como um marco da parceria estratégica entre Moscou e Pyongyang.
O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, e o premiê norte-coreano, Pak Thae Song, participaram da cerimônia por videoconferência e discursaram para trabalhadores e autoridades dos dois lados da fronteira. Mishustin afirmou que a expansão da infraestrutura de transporte transfronteiriço deverá impulsionar o comércio e a cooperação econômica, científica, tecnológica e cultural.
A construção começou em abril do ano passado, depois de o projeto ser acordado durante uma visita do presidente Vladimir Putin à Coreia do Norte em 2024. A nova estrutura foi erguida ao lado da ponte da Amizade, ligação ferroviária inaugurada em 1959, após a Guerra da Coreia.
Antes da inauguração, os dois países tinham conexões aéreas e ferroviárias diretas, mas não uma ligação rodoviária própria. Desde 1959, um acordo especial permitia que tábuas fossem colocadas sobre a ponte ferroviária para a passagem de veículos. Durante décadas, esse foi o único ponto de travessia da fronteira entre Rússia e Coreia do Norte.
A nova ponte recebeu o nome de Yakov Novichenko, soldado do Exército Vermelho que, segundo Pyongyang, protegeu o primeiro líder norte-coreano, Kim il-sung, em 1946. De acordo com a versão apresentada pela Coreia do Norte, ele interceptou uma granada lançada contra o líder e outras pessoas.
Mishustin disse que até 300 veículos poderão cruzar a ponte por dia. A estrutura será conectada à rede rodoviária federal russa e terá acesso ao corredor de transporte entre Vladivostok e São Petersburgo. Caminhões já começaram a usar a passagem para transportar cargas. No final deste ano, a ponte deverá estar totalmente operacional e também poderá receber passageiros.
Os vínculos entre os países se estreitaram desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Pyongyang enviou milhares de soldados para a região russa de Kursk para ajudar a repelir uma incursão ucraniana em 2024. No discurso, Mishustin mencionou os soldados norte-coreanos que, segundo ele, lutaram ao lado das tropas russas e defenderam o território do país.


