A construção da parte norte-coreana da ponte sobre o rio Yalu, na fronteira com a China, entrou na fase final depois de 12 anos de paralisação. A conclusão pode permitir a inauguração da estrutura em breve, informou nesta quarta-feira (9) a SI Analytics, empresa sul-coreana que analisa imagens de satélite.
A ponte tem 3 km de extensão, e a estrutura de alfândega e imigração no lado norte-coreano deverá estar quase concluída no início de setembro. Imagens da região indicam que as estradas estão sendo pavimentadas, o entorno recebe paisagismo e estruturas auxiliares de apoio estão sendo retiradas.
Em relatório baseado nas imagens, a SI Analytics afirmou que a Coreia do Norte concluiu o projeto em quatro meses após a retomada dos trabalhos. A empresa descreveu o ritmo como parte da campanha norte-coreana conhecida como “batalha de velocidade”.
Infraestrutura na fronteira
A Coreia do Norte também construiu uma estrutura de entrada para a ponte. Segundo a SI Analytics, o local traz o nome oficial do país, República Popular Democrática da Coreia, junto a uma grande bandeira nacional.
A ponte foi projetada para ligar as zonas de livre comércio de Dandong, no nordeste da China, à cidade norte-coreana de Sinuiju. O lado chinês, com duas pistas em cada sentido, foi concluído em 2014, mas a parte norte-coreana ficou inacabada e terminava em um campo.
O projeto deveria representar uma nova etapa nas relações entre os dois países e apoiar os esforços de Pequim para incentivar reformas econômicas cautelosas e voltadas à exportação. A deterioração dos laços, associada à continuidade dos testes nucleares norte-coreanos, interrompeu a conclusão da obra.
Retomada dos contatos
Os trabalhos foram retomados em meio a esforços de Pequim, iniciados no fim de 2025, para reaproximar Pyongyang. A reabertura das obras ocorreu depois que o presidente chinês, Xi Jinping, visitou a Coreia do Norte em junho. Os países também retomaram trens de passageiros e voos diretos entre suas capitais.
A aproximação acontece depois de um período em que a pandemia de Covid-19 interrompeu intercâmbios entre os dois países. Nesse intervalo, Kim Jong Un estreitou os laços com Moscou ao enviar tropas e armas para apoiar a Rússia na guerra na Ucrânia.
Em maio, imagens de satélite mostraram, no lado chinês, marcações para faixas de entrada de caminhões e de veículos de passageiros. A nova ponte ainda não foi aberta.
Para a SI Analytics, a ponte se soma à primeira ligação rodoviária inaugurada entre Coreia do Norte e Rússia e indica a formação de redes de transporte nos flancos leste e oeste do país.


