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Justiça

Cantores levam à Justiça disputa sobre clonagem de vozes por inteligência artificial

A plataforma Suno é acusada de permitir cópias digitais de vozes sem autorização; empresa nega que viabilize esse tipo de criação.

Cantores levam à Justiça disputa sobre clonagem de vozes por inteligência artificial
Foto: Christopher Polk/Billboard/Getty Images; Kevin Mazur/TAS24/Getty Images

A plataforma americana Suno enfrenta um processo movido por músicos que querem impedir o uso não autorizado de vozes de artistas em faixas produzidas por inteligência artificial. O grupo é liderado pelo cantor country Jason Isbell, cuja voz teria sido reproduzida em uma música criada pelo sistema.

A empresa, que está há quatro anos no mercado, tem 100 milhões de usuários e é avaliada em 5,4 bilhões de dólares. Seus sistemas montam canções em segundos. A Suno afirma que sua missão é “ajudar pessoas a criarem músicas novas e originais” e nega que permita a clonagem de vozes.

Os autores da ação sustentam, porém, que os mecanismos de bloqueio podem ser contornados. O aplicativo não gera a música quando o nome de um artista é inserido diretamente no comando, mas aceita a solicitação quando as letras são digitadas com espaços entre elas. Imagens anexadas ao processo mostram uma faixa que reproduz características da composição de Isbell, suas guitarras acústicas, o sotaque country e a voz suave do cantor.

Reproduções no Brasil

A Suno também está disponível no Brasil, onde músicas feitas com inteligência artificial ganharam espaço. Uma versão em pagode de The Fate of Ophelia, de Taylor Swift, usa vocais idênticos aos de Luísa Sonza e Dilsinho. Chamada de A Sina de Ofélia, a faixa foi removida de plataformas de streaming diversas vezes, mas voltou a circular.

No YouTube, uma versão com mais de 7,7 milhões de visualizações tem um clipe com réplicas distorcidas dos dois artistas como nobres apaixonados. A plataforma afirma oferecer aos detentores de direitos ferramentas para administrar sua propriedade intelectual, incluindo a identificação de material feito com inteligência artificial e a possibilidade de denunciar vídeos.

O Ecad informou que a música gerou 50 000 reais, mas o valor está retido porque não há titular definido para receber o pagamento. De janeiro a julho deste ano, 62 200 obras geradas por inteligência artificial tiveram receitas bloqueadas no país. A superintendente executiva Isabel Amorim disse que o Ecad atua apenas na arrecadação e não verifica o uso não autorizado de vozes.

Para a advogada Letícia Provedel, a legislação brasileira já protege a voz como direito da personalidade, pertencente ao intérprete, e não à gravadora. O especialista João Daniel Rassi, doutor em direito penal pela USP, afirmou que o custo de uma ação judicial pode dificultar a defesa desse direito pelos artistas.

Nem todos os músicos rejeitam o recurso. O cantor americano Lauv lançou uma versão em coreano de Love U Like That com a própria voz gerada por inteligência artificial. Taylor Swift pediu o registro de marca da voz e da imagem para se proteger de cópias digitais.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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