A ministra Cármen Lúcia criticou, nesta terça-feira (15/9), a exposição dos procedimentos relacionados ao caso Master durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes por supostos vínculos com Daniel Vorcaro.
Em seu voto, Cármen Lúcia disse que a condução da sessão não transmitiu a tranquilidade esperada da corte e afirmou que os episódios ultrapassavam os efeitos institucionais sobre o Supremo. “Houve uma espetacularização desses casos, dessa sessão, que não faz mal apenas ao Supremo, mas ao país”, declarou.
A ministra também afirmou que o julgamento não deveria ser orientado pela pressão da opinião pública. “É falsa a ideia de que clamor público nos vai fazer votar em um ou outro sentido. Nós temos independência para isso”, disse.
Voto sobre as petições
Cármen Lúcia acompanhou a divergência apresentada por Edson Fachin e rejeitou a reunião da Petição 16.662 com a Petição 16.704. A primeira foi usada por André Mendonça para acusar Alexandre de Moraes; na segunda, Moraes apontou irregularidades na atuação do colega na condução do caso Master.
A proposta de reunir os processos havia sido apresentada por Gilmar Mendes, decano do STF, na primeira parte da sessão. Cármen reconheceu que não havia regras claramente definidas para aquele julgamento, mas afirmou respeitar as atribuições do relator e do presidente da corte, funções exercidas por Moraes.
Antes da manifestação da ministra, Flávio Dino pediu vista. Cármen Lúcia, porém, antecipou seu voto. Além dela, Mendonça e Luiz Fux acompanharam Fachin. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin seguiram Gilmar Mendes.
Com esses votos, a reunião das petições era rejeitada por quatro ministros, enquanto três defendiam o julgamento conjunto.



