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Política

Mensagens indicam acesso de grupo de Vorcaro a investigações sigilosas do MPF

Relatório da Polícia Federal aponta consultas ilegais a sistemas do MPF e acesso antecipado a apurações sobre a negociação entre Master e BRB.

Mensagens indicam acesso de grupo de Vorcaro a investigações sigilosas do MPF
Foto: Reprodução

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro recebeu informações antecipadas sobre procedimentos sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) relacionados à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os documentos foram tornados públicos após André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do material.

A decisão ocorreu a pedido de Luiz Edson Fachin, presidente do STF, em meio à crise que atinge a Corte. As apurações embasaram a determinação de Mendonça para a segunda prisão de Vorcaro.

Consultas em sistemas do MPF

De acordo com a PF, o grupo chamado “A Turma”, comandado por Vorcaro e voltado a ameaças e espionagem, fazia consultas ilegais em bases restritas de órgãos de investigação e segurança pública. As extrações eram coordenadas por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como chefe operacional do grupo.

Em 23 de julho de 2025, Mourão enviou a Vorcaro o resultado de uma busca nos sistemas internos do MPF pelos termos “BRB AND MASTER”. A consulta procurava identificar investigações relacionadas à operação entre os dois bancos. Ao ser alertado de que havia muitos registros e de que a movimentação poderia chamar a atenção dos órgãos de controle, Vorcaro respondeu: “Quero tudo. Atenção total.”

A PF identificou que a pesquisa partiu do login funcional de um servidor do MPF. No mesmo dia, uma consulta feita com o CPF de Vorcaro encontrou 15 procedimentos, dos quais 11 estavam sob segredo de justiça. Em um dos arquivos enviados ao banqueiro, o nome e a lotação do servidor haviam sido cobertos digitalmente. Os metadados do PDF, porém, preservaram essas informações, que foram recuperadas pelos peritos.

No dia 24 de julho de 2025, Mourão repassou o conteúdo de uma Notícia de Fato aberta no MPF do Distrito Federal para investigar possíveis crimes contra o sistema financeiro na negociação entre Master e BRB. Segundo a PF, esse procedimento marcou o início formal da Operação Compliance Zero.

Acesso a outros procedimentos

A investigação aponta que a espionagem institucional ocorria pelo menos desde o primeiro semestre de 2024. Em 18 de junho de 2024, depois de receber de Vorcaro um despacho da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), da PF de São Paulo, Mourão acionou contatos e encaminhou um levantamento de procedimentos sigilosos relacionados ao empresário.

Os documentos foram gerados a partir da conta de uma servidora do MPF, conforme a perícia. Ao saber da existência de seis processos sigilosos com seu nome, Vorcaro pediu que todos fossem levantados. Três dias depois, em 21 de junho de 2024, Mourão enviou inquéritos policiais e ofereceu ampliar as buscas para sócios e executivos, entre eles Fabiano Zettel, Henrique Vorcaro, Maurício Quadrado e Nelson Tanure.

Nas mensagens, Mourão afirmou que o grupo poderia consultar outros nomes, empresas e pessoas e que tinha acesso amplo aos sistemas. A PF também registrou que, em março de 2024, houve tentativa de superar o bloqueio de uma investigação classificada com sigilo máximo. Em 23 de março, Mourão relatou a dificuldade; na manhã de 24 de março, informou ter obtido acesso ao procedimento com credenciais de uma servidora do MPF.

O parecer da PF ressalva que o uso repetido dos logins de um servidor e de uma servidora não demonstra, por si só, que eles participaram voluntariamente do vazamento. As credenciais podem ter sido utilizadas com ou sem conhecimento dos titulares, hipótese que continua sob investigação.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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