O Tribunal Superior da Inglaterra rejeitou nesta segunda-feira (12) a substituição do escritório Pogust Goodhead na representação das vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Com a decisão, a banca permanece à frente da ação coletiva apresentada em Londres contra a BHP, mineradora anglo-australiana que detinha 50% da Samarco.
A mudança havia sido aprovada no fim de agosto pelo comitê de clientes que representa mais de 200 mil vítimas. O colegiado havia escolhido o escritório americano Bailey Glasser International (BGI) para assumir o caso. Em nota, o BGI afirmou ter recebido a decisão com decepção e informou que o grupo avaliará as medidas que poderá tomar com seus advogados.
O comitê sustentava que tinha autoridade para escolher a banca responsável pelo litígio. Também alegava justa causa para a substituição, sob o argumento de que o Pogust havia violado compromissos contratuais. O escritório, por sua vez, afirma manter contratos individuais com todas as vítimas.
A disputa chegou à Justiça depois que o Pogust contestou a competência do comitê para promover a troca. Tanto o colegiado quanto o escritório recorreram. Em setembro, o juiz Adam Constable reuniu as duas ações e marcou para outubro uma audiência sobre os poderes do grupo.
A ação busca responsabilizar a BHP pelo rompimento da barragem em 2015. O desastre matou 19 pessoas e deixou mais de 2.000 desabrigadas. O processo cobra 36 bilhões de libras, cerca de R$ 251 bilhões, em indenizações. A BHP já foi considerada culpada, e a etapa destinada a definir os valores para cerca de 400 mil clientes deve começar em abril do ano que vem. As pessoas que aceitaram acordos de indenização no Brasil não integram esse grupo.
O comitê foi criado em 2022 para intermediar a relação entre o escritório e os clientes. Os atritos começaram no ano passado, depois da saída de Thomas Goodhead, um dos fundadores do Pogust. Desde então, ocorreram mais de 20 mudanças na equipe responsável pelo caso.

