O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação civil pública contra os ex-prefeitos de Cabedelo Vitor Hugo e André Coutinho e contra Flávia de Lima Monteiro, conhecida como “Fatoka”, apontada pelo órgão como chefe de uma organização criminosa. A acusação envolve suposto uso da estrutura administrativa do município para contratar pessoas indicadas pela facção e desviar recursos públicos.
A ação por improbidade administrativa tem como base as duas fases da Operação En Passant, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Conforme o MPPB, os ex-gestores teriam mantido uma aliança com Fatoka, que indicaria pessoas para cargos em troca de “apoio” e “proteção política” em comunidades sob domínio da organização.
O órgão afirma que o esquema teria submetido moradores à vontade do grupo em diferentes situações, inclusive na escolha de votos para mandatos eletivos. As investigações também apontam que parte dos valores recebidos pelas pessoas contratadas era repassada a terceiros, em uma prática conhecida como “rachadinha”.
Segundo a ação, Vitor Hugo teria autorizado e avalizado a nomeação de pessoas indicadas pela organização criminosa. André Coutinho, que era vereador e depois prefeito de Cabedelo, é acusado de ter participado da autorização e do aval de nomeações na Câmara Municipal e na Prefeitura.
Vitor Hugo informou que sua equipe jurídica aguarda a notificação formal para tomar as medidas cabíveis. André Coutinho não havia respondido até a última atualização.
Investigação sobre Fatoka
Flávio de Lima Monteiro, também chamado de Fatoka, é apontado como chefe do Comando Vermelho na Paraíba e está ligado à investigação sobre contratações na Prefeitura de Cabedelo. A Polícia Federal apura o uso de empresas terceirizadas para contratar pessoas indicadas por ele.
O primeiro registro de prisão de Fatoka ocorreu em 2012. Ele permaneceu preso até 2018, quando fugiu da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1, durante uma fuga em massa de 92 detentos após a explosão do portão principal.
Depois, foi localizado em Alagoas e preso novamente. Liberado para cumprir medidas cautelares com tornozeleira eletrônica, rompeu o equipamento e fugiu para o Rio de Janeiro, conforme a Polícia Civil.
Fatoka também é investigado por supostamente aliciar violentamente eleitores de Cabedelo durante as Eleições de 2024.


