São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Justiça

Promessa de US$ 5 mil de Trump enfrenta disputa entre lei eleitoral e liberdade de expressão

Precedente de 1982 pode ser usado para defender a constitucionalidade do chamado “Trump dividend”, mas o custo da medida supera a receita tarifária estimada.

Promessa de US$ 5 mil de Trump enfrenta disputa entre lei eleitoral e liberdade de expressão

A promessa de Donald Trump de distribuir US$ 5 mil a cada cidadão adulto dos Estados Unidos poderá ser analisada à luz de uma decisão da Suprema Corte que protege promessas de campanha como forma de liberdade de expressão. O pagamento, porém, está condicionado à vitória do Partido Republicano nas eleições de novembro para o Senado e a Câmara dos Deputados.

O chamado “Trump dividend” seria financiado por receitas obtidas com tarifas. A proposta alcançaria 245,3 milhões de adultos e custaria cerca de US$ 1,3 trilhão, enquanto a arrecadação tarifária estimada até agora é de US$ 298 bilhões. A execução também dependeria de aprovação do Congresso, já que Trump não poderia liberar o dinheiro por decreto.

A disputa jurídica

A lei federal 18 USC §597 proíbe pagamentos ou despesas destinados a influenciar o voto. A norma prevê multa ou prisão de até um ano para quem oferecer ou aceitar pagamento em troca de votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato. Se a infração for intencional, a pena pode chegar a dois anos.

Uma eventual contestação sustentaria que a promessa equivale à compra de votos. A defesa do governo poderia argumentar que o benefício seria destinado a todos os cidadãos adultos, independentemente de terem votado em candidatos republicanos, democratas ou de não terem votado.

O precedente Brown v. Hartlage, estabelecido pela Suprema Corte em 1982, diferencia a compra ilegal de votos de promessas genéricas de política pública. Nesse entendimento, compromissos eleitorais são manifestações protegidas pela Primeira Emenda da Constituição, inclusive quando não são cumpridos.

Condições e promessas anteriores

Trump acrescentou que “o dinheiro deve ser gasto nos Estados Unidos, não no Canadá, na China ou na Alemanha”. A condição, no entanto, não estaria sob controle do governo.

No início de seu segundo mandato, Trump havia prometido cheques de US$ 5 mil, chamados de “DOGE dividend”, financiados pela suposta economia obtida com demissões de servidores públicos. O compromisso não foi cumprido. Depois, prometeu cheques de US$ 2 mil como compensação pelas tarifas de importação repassadas aos consumidores, mas essa medida também não se concretizou.

A promessa atual só teria validade se os republicanos vencerem as eleições de novembro e mantiverem a maioria nas duas casas do Congresso. O texto também aponta que a proposta poderá afetar o comportamento de eleitores independentes, que alternam entre candidatos dos dois partidos e podem definir o resultado das eleições.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.