O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo com a Dinamarca que amplia o controle americano sobre a segurança da Groenlândia. O entendimento prevê uma presença militar dos Estados Unidos na ilha e exige autorização por escrito do governo americano para que adversários instalem bases, mantenham militares ou façam investimentos sensíveis na região.
Trump divulgou a decisão nas redes sociais no fim da tarde desta sexta-feira (18). Segundo ele, o acordo terá “duração infinita” e dará aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança e outras necessidades da Groenlândia, sem criar novos custos para os americanos. O presidente também afirmou que o país adotará uma postura protetora em relação ao território.
Interesses estratégicos
A Groenlândia é um território autônomo sob comando da Dinamarca e a maior ilha do mundo. Sua posição conecta o Ártico ao Atlântico Norte. China e Rússia mantêm presença militar no Ártico, enquanto o derretimento do gelo tornou a navegação pela região mais acessível e aumentou a importância da rota entre a Ásia e a Europa.
A ilha também concentra reservas de petróleo e gás, além de áreas com terras raras ainda não exploradas. Esses minerais são usados no desenvolvimento de inteligência artificial, baterias de carros elétricos e turbinas eólicas. A China domina atualmente esse mercado.
Estados Unidos e Dinamarca mantêm, desde a década de 1950, um acordo de defesa que permite a presença militar americana na Groenlândia. Trump, porém, passou a defender uma ampliação desse entendimento. Desde 2019, ele fala em comprar a ilha e transformá-la em território americano. Durante as negociações, pressionou aliados europeus com ameaças de tarifas e não descartou o uso de força militar.
Em janeiro de 2026, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump disse ao secretário-geral da Otan que os dois países haviam definido as bases de um futuro acordo. Para o sociólogo Demétrio Magnoli, o objetivo é “Fechar o Atlântico Norte a potências rivais dos Estados Unidos”, especialmente China e Rússia.
Reação dinamarquesa
O governo da Dinamarca confirmou o acordo e afirmou que ele será assinado formalmente na semana que vem, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A primeira-ministra Mette Frederiksen saudou o plano, considerado por Copenhague positivo para a Otan e para a Europa.
Frederiksen disse aguardar um acordo favorável à Groenlândia, ao Reino da Dinamarca e aos Estados Unidos. Também afirmou que o entendimento reforça a segurança comum no Ártico e no Atlântico Norte, ao mesmo tempo que reconhece a soberania, a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação.
Na semana passada, soldados de 11 países da Otan participaram de manobras militares na Groenlândia. O acordo ainda precisará ser aprovado pelos parlamentos dos dois países para entrar em vigor.

