Eevee, uma filhote de canguru com seis meses, passa por uma adaptação gradual para viver em um espaço destinado à espécie e permanecer com animais adultos. A equipe pretende ampliar o tempo que ela fica longe da bióloga Thais Gomes Amaral, responsável pelos cuidados nos primeiros dias de vida.
A filhote dorme em uma sala preparada no zoológico. Pela manhã, é levada a um recinto onde começa a se aproximar de outros cangurus. Os animais se aproximam e cheiram Eevee, enquanto a equipe mantém o contato em ritmo lento. “Tudo isso é sempre muito devagar, no tempo dela”, conta Thais.
Para estimular a independência, a bióloga deixa Eevee por períodos maiores em um cercado com outro tratador. A etapa seguinte será aumentar o tempo em que ela permanece sozinha com os demais cangurus.
Cuidados desde os primeiros dias
Antes da adaptação, Thais precisou reproduzir o calor e a sensação de proteção do corpo materno. Ela usou uma bolsa de material elástico, cobertas e garrafas com água aquecida. Eevee também era mantida junto à bióloga durante o trabalho, porque o movimento ajudaria no desenvolvimento da filhote. Em algumas ocasiões, foi levada para casa com autorização.
Eevee recebeu esse nome em referência a um personagem de Pokémon. No nascimento, tinha entre 2 cm e 2,5 cm de comprimento e era comparada ao tamanho de uma pedra. Filhotes de canguru nascem após pouco mais de um mês de gestação e costumam permanecer na bolsa da mãe até o quinto ou sexto mês.
A mãe de Eevee, Esther, deixou de aceitá-la antes desse período. A equipe que acompanha os animais 24 horas por dia percebeu, durante uma noite, que Esther retirou a filhote da bolsa e a colocou para fora. O primeiro procedimento foi tentar reuni-las novamente, mas a mãe não aceitou.
Annabelle Olsson, diretora do Hospital da Vida Selvagem da Universidade de Sidney, na Austrália, afirmou que alguns cangurus abandonam os filhotes e que há grupos de cuidadores que oferecem treinamento.
Thais diz que Eevee está mais confiante, mas não será devolvida à natureza. A bióloga afirma que animais nascidos sob cuidados humanos continuarão nessa condição e que experiências desse tipo podem contribuir para salvar outras espécies.


