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Saúde

Ciência avança na busca por uma cura do HIV sem transplante

Casos raros mostram que o HIV pode ser eliminado ou controlado sem medicamentos, mas ainda não há cura segura e disponível.

Ciência avança na busca por uma cura do HIV sem transplante

A ciência já registrou casos de pessoas consideradas curadas do HIV, mas ainda não conseguiu transformar esses resultados em um tratamento simples, seguro e acessível. De acordo com a Sociedade Internacional de AIDS, 13 pessoas são consideradas curadas do vírus, principalmente após transplantes de células-tronco realizados para tratar cânceres graves.

O principal objetivo das pesquisas atuais é alcançar resultado semelhante sem o transplante de medula, procedimento de alto risco que não é indicado para tratar o HIV. No Brasil, uma das linhas de investigação é conduzida pelo infectologista Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“A gente está mais próximo agora”, afirma Diaz. Segundo ele, os próximos anos podem trazer resultados sobre a possibilidade de curar pessoas sem transplante e ampliar a escala das intervenções.

O obstáculo dos reservatórios virais

Os antirretrovirais disponíveis conseguem impedir a multiplicação do HIV e reduzir a quantidade de vírus no sangue a níveis indetectáveis. Eles, porém, não eliminam todo o vírus do organismo.

Parte do HIV permanece em algumas células, principalmente nas ligadas ao sistema de defesa, sem se multiplicar. Esses locais são chamados de reservatórios virais. Como o vírus fica praticamente adormecido, os medicamentos não conseguem agir sobre ele da mesma forma que combatem a infecção ativa. Quando o tratamento é interrompido, o HIV escondido pode voltar a se multiplicar.

“O reservatório viral, que é a persistência do vírus, é o grande obstáculo para a cura”, explica Diaz.

Os casos de cura após transplantes mostram que a eliminação ou o controle duradouro do HIV é possível em condições específicas. Em alguns pacientes, os doadores tinham uma alteração genética que dificulta a entrada do vírus nas células. O transplante também substitui grande parte das células do sistema imunológico e pode ajudar a eliminar células que carregavam o HIV.

Esse procedimento, no entanto, não pode ser aplicado de forma ampla a pessoas que vivem com o vírus. Os riscos só se justificam quando existe outra doença grave que exige o transplante. Por isso, os pesquisadores tentam identificar os mecanismos envolvidos nesses casos e reproduzi-los de maneira mais segura.

A infectologista e pesquisadora australiana Sharon Lewin afirma que diferentes mecanismos provavelmente atuam ao mesmo tempo nos pacientes que foram curados após transplantes. Estudos com anticorpos e anti-PD-1, um tipo de imunoterapia, já conseguiram reforçar a resposta imunológica específica contra o HIV em alguns participantes, permitindo o controle da replicação mesmo após a suspensão dos antirretrovirais.

O caso acompanhado no Brasil

Em um estudo liderado por Diaz, um paciente recebeu uma combinação de medicamentos e outras intervenções para atingir o reservatório viral e fortalecer o sistema imunológico. Após interromper os antirretrovirais, ele permaneceu cerca de um ano em remissão, sem sinais detectáveis do vírus nos exames. Posteriormente, porém, o HIV voltou.

O caso ficou conhecido como “paciente de São Paulo”. Para Diaz, o resultado chamou atenção porque o paciente apresentou características semelhantes às observadas em pessoas curadas após transplante, embora não tivesse passado pelo procedimento.

A experiência também mostrou que um período sem vírus detectável não prova que o HIV desapareceu do organismo. Pequenas quantidades podem permanecer escondidas e voltar a se multiplicar meses ou até anos depois.

Entre as estratégias em estudo estão a tentativa de acordar o vírus para eliminar as células infectadas e a busca por mantê-lo silenciado permanentemente, mesmo sem antirretrovirais. Também são investigados anticorpos, terapias celulares e edição genética.

Na Unifesp, a equipe de Diaz prepara um estudo de fase 2 com cerca de 60 voluntários para testar uma combinação de estratégias. Até agora, nenhuma abordagem produziu uma cura segura e disponível para a população.

O HIV se tornou uma condição controlável com os avanços no tratamento, enquanto a prevenção incorporou ferramentas como a PrEP. A busca pela cura, porém, exige estudos longos e acompanhamento por anos. “Todo esse processo científico é longo”, diz Diaz.

A ciência já sabe que o vírus pode ser eliminado ou controlado por longos períodos sem medicamentos em casos raros. O desafio é transformar essas evidências em uma estratégia segura, duradoura e acessível.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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