SÃO PAULO — A escola infantil e berçário Vivência e Convivência foi interditada preventivamente pela Defesa Civil na quinta-feira (17). A instituição fica ao lado de uma obra embargada da New Home, construtora responsável pelo prédio que desabou no distrito da Penha no sábado (12), causando seis mortes na zona leste de São Paulo.
A interdição é provisória. Na quarta-feira (16), a prefeitura vistoriou o imóvel inacabado e concluiu que ele estava “sem condições de estabilidade e/ou com perigo de ruir”. A escola funciona na avenida Padres Olivetanos, na Vila Esperança, e atende crianças de quatro meses a seis anos.
Perícias apontaram riscos na obra
O empreendimento vizinho passou por duas perícias técnicas. Antes da interdição, a escola deixou de usar algumas salas e parte do pátio como medida preventiva. A avaliação mais recente, realizada em junho, identificou ferragens expostas à corrosão progressiva, falta de concretagem em uma viga de sustentação, parede com abaulamento, ausência de bandejas de proteção e reparos anteriores considerados paliativos.
O técnico responsável classificou como “crítica” a possibilidade de queda de materiais de construção sobre a escola. Ao mesmo tempo, afastou o risco imediato de colapso, porque intervenções haviam estabilizado fissuras e o muro divisório, que apresentava afundamento e inclinação.
A obra é de sobrados de três pavimentos, diferente do prédio que desabou. A escola começou a relatar rachaduras, infiltrações e outros danos em 2023. Naquele ano, a prefeitura determinou a interdição parcial do imóvel. Um perito apontou problemas relacionados à umidade, ao mofo e a pequenas quedas de blocos de concreto.
Disputas judiciais começaram em 2023
A instituição obteve decisões judiciais desde 2023 para exigir adequações no empreendimento. Em maio de 2025, a obra foi lacrada com um cadeado por determinação judicial, mas o dispositivo foi rompido. A medida contou com apoio policial e previa a correção de problemas técnicos e o monitoramento contínuo da estrutura, sem determinar a demolição.
Em uma avaliação, o perito afirmou que a escavação feita pela construtora desrespeitou normas técnicas e não garantiu a estabilidade do local. O custo estimado para resolver os problemas era de R$ 29,5 mil. Segundo o laudo, a falta de contenção junto à divisa provocou o recalque do terreno e danos ao imóvel da escola, como rachaduras e infiltrações.
Após o desabamento de outro prédio da New Home, a escola voltou à Justiça para pedir a demolição da construção vizinha. Em comunicado, solicitou que a interdição determinada pela subprefeitura da Penha e pela Defesa Civil seja acompanhada de medidas para verificar a segurança do imóvel.
A defesa do engenheiro Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da empresa, informou na quarta-feira que repudia “informações descontextualizadas” divulgadas por autoridades. O engenheiro está preso, e a defesa disse que se manifestará após a conclusão do trabalho técnico e o acesso à íntegra da investigação. Advogados que falaram em nome da empresa nos últimos dias foram procurados na sexta-feira (18), mas não responderam.


