SÃO PAULO — O desabamento de um prédio sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo, deixou cinco mortos e um desaparecido. O Corpo de Bombeiros localizou três vítimas sem vida na noite deste sábado (12), durante uma operação que já durava mais de 21 horas.
Um homem foi retirado dos escombros por volta das 23h. Outras duas vítimas foram encontradas sem vida, segundo os bombeiros. Mais cedo, duas mulheres, uma delas grávida, haviam sido localizadas mortas. Os nomes não foram divulgados.
Um homem e uma menina de 7 anos foram resgatados com vida. A edificação, de 11 pavimentos, desabou por volta das 2h, na rua Tequici. Os escombros atingiram uma residência vizinha onde moravam nove pessoas.
O coronel Diógenes Lucca, porta-voz do Corpo de Bombeiros, afirmou que as buscas continuarão até a localização da última pessoa desaparecida, ainda sem previsão de término. “Estamos aqui para salvar vidas até encontrarmos a última pessoa”, disse.
Segundo Lucca, cães farejadores indicaram o ponto onde estava o último corpo encontrado. A operação reúne 59 bombeiros e 20 viaturas, além da Defesa Civil e de agentes da Prefeitura de São Paulo.
Herbert Chino Choque, 43, afirmou que morava na casa destruída com a mulher, as filhas de 5 e 7 anos e outros cinco parentes e amigos da família, todos bolivianos. Ele não estava no imóvel quando ocorreu o desmoronamento. A casa também abrigava a oficina de costura onde o grupo trabalhava.
Prefeitura aponta irregularidades
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve no local e afirmou que a obra era irregular. Segundo ele, a construção começou em 2019, sem alvará, e foi interditada pela prefeitura. Como a construtora não interrompeu os trabalhos após multas, a Procuradoria Geral do Município entrou, em 2021, com uma ação judicial para suspender imediatamente a obra.
A prefeitura informou que a construtora apresentou um novo projeto em 2022 e recebeu um alvará em 2023, com a exigência de demolir a estrutura existente. Uma vistoria feita em 2024 por uma servidora da Subprefeitura da Penha registrou que a demolição havia sido realizada. No entanto, técnicos municipais verificaram neste sábado, com vizinhos e imagens de satélite, que a estrutura continuava no local.
Daniel Falcão, controlador-geral do Município, afirmou que a servidora foi afastada por 30 dias. A Polícia Civil também investiga o caso, com participação da delegada do 24ª Distrito Policial, e procura os donos da construtora para esclarecer as irregularidades apontadas pela gestão municipal.
A New Home informou que abriu uma apuração interna e declarou que não há elementos para afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora. A empresa disse que não se isenta de eventual responsabilidade e que presta apoio às famílias afetadas.
Após o fim das buscas, o local passará por perícia. A Defesa Civil avalia se as fortes chuvas que atingiram a cidade podem ter causado a queda do edifício.


