São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Justiça

Gilmar defende perícia individual para indenizações de usinas

Ministro afirma que cada empresa deve comprovar prejuízo concreto antes de cobrar valores da União.

Gilmar defende perícia individual para indenizações de usinas

Gilmar Mendes afirmou que indenizações pedidas por usinas de açúcar e álcool só devem ser pagas quando houver perícia capaz de demonstrar o prejuízo efetivamente sofrido por cada empresa. O ministro do Supremo Tribunal Federal relacionou esse entendimento ao Tema 826 da repercussão geral.

A posição foi apresentada em publicação feita nesta sexta-feira (18/9), na qual Gilmar também listou decisões em que votou contra a liberação de valores. No processo da Destilaria Alcídia (ARE 1.327.995), julgado em junho de 2025, ele votou contra o pagamento e ficou vencido. Na ação da Raízen (ARE 1.312.127), da qual foi relator, o pagamento foi barrado. No caso da Jalles Machado (ARE 1.392.660), votou duas vezes contra e perdeu em ambas. Também se posicionou contra a liberação de um precatório de mais de R$ 5 bilhões na STP 976.

A controvérsia

As ações têm origem na política de controle de preços do açúcar e do álcool adotada pelo governo federal nas décadas de 1980 e 1990. As usinas alegam que os valores definidos ficaram abaixo dos custos de produção e passaram a buscar reparação na Justiça. Parte dos créditos foi comprada por instituições financeiras, entre elas o Banco Master.

Segundo estimativa mencionada pelo ministro, o conjunto das indenizações pode alcançar R$ 145 bilhões. Gilmar afirmou que considera inadequado calcular a reparação apenas pela diferença genérica entre preços e custos estimados para todo o setor. Para ele, cada usina precisa comprovar o dano econômico concreto.

O ministro disse que sua oposição aos pagamentos começou antes de sua atuação no Supremo. Ele foi advogado-geral da União entre 2000 e 2002 e afirmou que impedir essas indenizações já estava entre suas prioridades naquele período.

A manifestação ocorreu após a divulgação de que Daniel Vorcaro esteve no gabinete de Gilmar em abril de 2024, acompanhado por advogados do Banco Master, para tratar de uma causa de interesse da instituição. O banco tinha precatórios que poderiam perder valor caso o Supremo não validasse as ações indenizatórias contra a União. O julgamento ocorreu no ARE 1.327.995, e Gilmar votou contra os interesses do Master.

“Essa luta não é de hoje. Barrar esses pagamentos foi uma das minhas prioridades à frente da AGU, entre 2000 e 2002, e é a mesma posição que sustento no Supremo”, afirmou o ministro.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.