SÃO PAULO — Uma operação do Ministério Público identificou e desarticulou quatro núcleos ligados à receptação, ao desbloqueio e à revenda de celulares roubados. A ação ocorreu nesta quinta-feira (10), enquanto crimes cometidos por grupos que quebram vidros de carros para levar aparelhos foram registrados em diferentes regiões de São Paulo.
A Promotoria cumpriu mandados como parte da investigação sobre a cadeia que dá destino aos celulares. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que o combate também busca reduzir o incentivo econômico para esse tipo de roubo.
Registros em diferentes regiões
Policiais que atuam nas áreas mencionadas confirmaram ocorrências em vias das zonas leste, sul, norte e oeste. Entre os locais estão a avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na altura da Vila Prudente; a avenida Presidente Tancredo Neves, no Sacomã; e a avenida dos Bandeirantes.
Também há registros nas avenidas Cruzeiro do Sul e Zaki Narchi, em Santana, além das marginais Tietê e Pinheiros e da avenida Presidente Juscelino Kubitschek, no Itaim Bibi. A prática era associada principalmente à região da cracolândia, onde criminosos aguardavam motoristas nas avenidas Rio Branco e Duque de Caxias.
A Secretaria da Segurança Pública informou que, de janeiro a julho, a cidade teve 57.237 furtos de celulares, ante 58.814 no mesmo período do ano passado, redução de 3%. Os roubos passaram de 36.678 para 31.004, queda de 15%.
Vítima teve celular usado em transferência
A influenciadora automotiva Tabata Lenk, 23, foi atacada na avenida Presidente Tancredo Neves. Uma câmera instalada no carro registrou dois criminosos em uma motocicleta. O passageiro desceu, quebrou o vidro, pegou o aparelho e fugiu.
Antes do bloqueio do celular, os ladrões fizeram uma transferência de R$ 2.000. Tabata disse: "Era o único dinheiro que eu tinha na conta". A troca do vidro custou R$ 300, sem contar a limpeza dos estilhaços. O banco devolveu o valor após receber o vídeo da ação e o boletim de ocorrência.
A vítima afirmou que passou a evitar dirigir sozinha e que sente medo ao parar no trânsito. Ela também decidiu instalar película antivandalismo. Parte dos criminosos usa uma ferramenta de metal duro conhecida como vídea para quebrar as janelas.
Investigações e policiamento
A Secretaria informou que policiais civis do 2º Cerco identificaram dois suspeitos pelo ataque contra Tabata, mas eles não foram presos. A pasta disse ainda que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada com policiamento preventivo e ostensivo, investigação e inteligência.
Na marginal Tietê, um cabo da Polícia Militar, Paulo Roberto Lima Pereira, 44, foi morto durante um roubo após um problema no veículo, na altura do Parque Novo Mundo, zona norte. A investigação aponta que pedras teriam sido usadas para forçar motoristas a parar. A arma do policial foi levada, e os criminosos continuam sendo procurados.
A Secretaria também informou que, nos primeiros sete meses deste ano, roubos e furtos em geral caíram 13,6% e 3,08%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2025. Mais de 1.700 armas de fogo foram apreendidas e 27.200 infratores foram presos ou apreendidos.
Na zona sul, moradores da rua Descampado, na Vila Vera, fizeram um protesto por mais segurança. A via fica próxima ao 26º DP (Sacomã) e a uma companhia do 46º Batalhão de Polícia Militar. A Guarda Civil Metropolitana informou que intensificou o patrulhamento em pontos estratégicos e mantém operações como Madrugada Segura e Saturação.


