SÃO PAULO — A análise do trajeto do projétil que matou Larissa da Cruz Morata levou a polícia a afastar a hipótese de suicídio e pedir a prisão temporária do marido dela, o soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva. A mulher foi encontrada morta no banheiro da casa do casal, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, no último domingo (6).
A perícia preliminar indica que o tiro entrou acima da orelha esquerda e seguiu da esquerda para a direita, atingindo a parte de trás da cabeça. Como Larissa era destra, os investigadores consideraram improvável que ela tivesse efetuado o disparo contra si mesma.
Investigação e prisão
A delegada Bruna Caracho Crippa, responsável pelo caso, afirmou que o Instituto Médico Legal identificou, durante o exame necroscópico, informações sobre a trajetória do projétil e as circunstâncias da morte. Com esses dados e outros elementos reunidos na investigação, a Polícia Civil representou pela prisão do policial.
A Justiça comum autorizou a medida, e Vinícius foi levado na segunda-feira (7) ao presídio Romão Gomes da Polícia Militar, na capital paulista. A prisão temporária tem duração de 30 dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período.
“Eu concluí que nós tinhamos elemento de crime”, disse a delegada. O caso continua registrado pela Secretaria da Segurança Pública como morte suspeita a esclarecer, enquanto a principal hipótese passou a ser a de assassinato, com investigação por possível feminicídio.
A arma do policial, uma pistola Taurus calibre 357, foi apreendida e será examinada pelo Instituto de Criminalística. Também foram recolhidos o coldre, o carregador, as munições e o estojo de munição. A arma foi encontrada sob o corpo de Larissa.
Relato apresentado pelo policial
À investigação, Vinícius disse que Larissa chorou e se matou depois que ele afirmou não a amar mais e que queria se separar. Segundo o relato, ele foi dormir no quarto, acordou após ouvir um barulho e encontrou a mulher caída no banheiro. O próprio policial acionou a PM.
A irmã dele, que estava na residência antes do disparo, afirmou ter ouvido o casal conversar sobre uma separação. Familiares também disseram que Larissa vinha manifestando a intenção de se separar. Testemunhas levantaram ainda a suspeita de que o policial teria interesse nos bens adquiridos pela esposa, entre eles alguns imóveis.
Vinícius não forneceu a senha do celular para a perícia. O aparelho foi apreendido, e os policiais suspeitam que mensagens trocadas com Larissa possam ter sido apagadas.
Próximas etapas
A Delegacia Central de Embu das Artes aguarda os resultados dos exames do IML e do Instituto de Criminalística. Os peritos também deverão definir uma data para a reconstituição do caso.
Larissa tinha 29 anos, era técnica de enfermagem e mãe de um filho de 2 anos. Ela havia planejado uma cirurgia estética. Vinícius ingressou na Polícia Militar em janeiro de 2023 como soldado de primeira classe e trabalhava no 27° Batalhão, no Parque América, na Zona Sul de São Paulo. O salário mensal bruto informado é de R$ 6.718,39.
Se os elementos reunidos confirmarem a suspeita, o policial poderá ser indiciado por feminicídio. A pena prevista para o crime é de 20 a 40 anos de prisão. Vinícius deverá passar por audiência de custódia na Justiça.


