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Rosa Canelos recupera sementes e práticas quíchua após deixar o Equador

Após fugir aos 12 anos, indígena criou com o marido a Sacha Warmi, organização voltada à educação, à saúde e às tradições quíchua.

Rosa Canelos recupera sementes e práticas quíchua após deixar o Equador
Foto: Diego Aguilar/Divulgação

A recuperação de sementes e de práticas agrícolas tradicionais tornou-se uma forma de Rosa Canelos apoiar mulheres indígenas no Equador. Em um espaço mantido desde 2012 na cidade de Puyo, ela cultiva plantas, promove encontros e incentiva a retomada de conhecimentos quíchua.

Canelos se define como guardiã das sementes. Na área da organização Sacha Warmi, há oficina de cerâmicas, laboratório de plantas medicinais, horta, lago para piscicultura, casa comunitária e mirante para a floresta. O local fica a 220 km de Quito, capital equatoriana.

Da agricultura à autonomia

Segundo Canelos, uma família indígena precisa manter três roças: uma em cultivo, outra destinada ao fornecimento de alimentos e uma terceira com árvores frutíferas e plantas medicinais. Ela afirma, porém, que as mulheres passaram a plantar menos. Mandioca e banana-da-terra permanecem entre os cultivos, enquanto outros alimentos são comprados na cidade.

Para a indígena, a redução do plantio provocou perda de soberania alimentar e desnutrição entre crianças. Ela passou a cultivar e a convidar outras mulheres para conhecer sua roça. O objetivo é garantir sementes e alimentos como pimenta, tomate e frutas, que podem ser consumidos com mandioca e banana-da-terra quando não houver carne ou peixe.

Nos encontros, Canelos também conversa sobre cultura e valorização pessoal. Ela diz que muitas mulheres acreditam que seu conhecimento não tem valor se não estudarem e acabam invisibilizadas. As atividades com plantas e cerâmicas são usadas para recuperar saberes tradicionais.

Fuga e reencontro com as origens

Em 1996, aos 12 anos, Canelos deixou seu povoado às 5h da manhã. Entrou em um ônibus sem saber para onde iria, depois de conviver com alcoolismo e violência. Ela deixou oito irmãos da etnia quíchua.

Uma mulher que havia saído do povoado anos antes a levou para a casa de uma família, onde passou a trabalhar como doméstica. Canelos não falava espanhol direito e vinha de uma cabana sem paredes na floresta. Precisou aprender a limpar banheiro, cozinhar e passar roupa.

Ela trabalhou em Ambato e depois viveu em Guayaquil, Cuenca e Quito. Na avaliação de Canelos, a cidade não oferece a liberdade imaginada por muitos jovens, mas trabalho, exploração e discriminação.

Aos 18 anos, conheceu Didier Lacaze, francês que tinha 45 anos na época. Ele havia deixado seu país aos 17 anos, vivido nos Estados Unidos, na Índia e no Peru e participado de programas de saúde com povos indígenas. O casal se aproximou da região de origem de Canelos e fundou a Sacha Warmi.

Violência e alcoolismo

Canelos associa a violência contra as mulheres a uma concepção de poder masculino, segundo a qual elas devem obedecer, servir e cuidar da casa e das crianças. Ela também relaciona o alcoolismo à frustração provocada pela falta de trabalho e de dinheiro.

Aos 19 anos, teve o primeiro filho. Depois, teve uma filha que está em Paris tratando uma doença rara com apoio do governo francês. Com o tempo, passou a acompanhar mais de perto a mãe, que cuidava da roça, e transformou essa reaproximação em parte de seu trabalho de recuperação cultural.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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