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Secagem e plantio sob pressão ameaçam produtores de Kunri

Calor, chuvas irregulares e custos maiores reduzem a produtividade de uma região que concentra mais de 85% da pimenta chili do Paquistão.

Secagem e plantio sob pressão ameaçam produtores de Kunri
Foto: The New York Times

A etapa de secagem se tornou um dos principais riscos para os produtores de pimenta chili de Kunri, no sudeste do Paquistão. Depois da colheita, em setembro, as pimentas ficam espalhadas no chão por 10 dias. Quando há umidade excessiva, a produção pode ser atingida por fungos. Muhammad Khan, autoridade distrital de Kunri, estima que até um terço da colheita seja perdido entre a secagem e o processamento.

A cidade é a capital nacional desse cultivo e concentra uma parcela superior a 85% da produção paquistanesa. Em uma temporada após a colheita, mais de 200 toneladas eram negociadas diariamente no mercado local. Os montes de pimenta podiam ultrapassar 2,4 metros, atraindo produtores, compradores e trabalhadores diaristas.

Plantio alterado pelo calor

O calendário agrícola, porém, foi afetado pela sucessão de ondas de calor, inundações e períodos de seca. Neste ano, as temperaturas permaneceram altas demais para o plantio até março. Ahsan Ali Dars, que em anos anteriores havia antecipado a semeadura para março, precisou adiá-la para maio. Com isso, a temporada ficou mais curta, e as plantas jovens passaram a enfrentar maior estresse térmico.

Em uma manhã recente, Dars percorreu uma propriedade com áreas queimadas, solo ressecado e trechos sem cultivo. A temperatura deveria superar 49°C em poucas horas. Para tentar manter as plantas vivas até a colheita, que começa em setembro, ele e outros agricultores passaram a usar muito mais fertilizante.

No fim de julho, as primeiras gotas de chuva das monções chegaram aos campos de Dars. A precipitação, contudo, também aumentou o risco de excesso de água. “Se chover demais, a lavoura será destruída”, disse o agricultor. “Se não chover, também será desastroso.”

Perdas depois da colheita

A instabilidade climática atingiu uma atividade essencial para o país. A agricultura representa quase um quarto da economia do Paquistão e emprega metade de sua força de trabalho. O país, que tem mais de 250 milhões de habitantes, está entre os mais vulneráveis do mundo à mudança climática.

As inundações de 2022 destruíram quase 1,8 milhão de hectares de terras agrícolas. Agricultores de Sindh e da vizinha Punjab, considerada o celeiro agrícola do país, afirmam que os efeitos do desastre continuam presentes. Em Kunri, os pequenos produtores também enfrentam custos maiores e têm menos condições de adaptar suas propriedades.

A secagem tradicional ocorre ao ar livre, sob o sol, e fica ainda mais vulnerável durante períodos chuvosos. Pequenos agricultores reivindicam há anos instalações capazes de oferecer um ambiente controlado. Muhammad Saleem, corretor de pimentas no mercado de Kunri, afirmou: “Sempre que o governo dizia que abriria um centro, nada acontecia”.

Khan disse que a secagem é o principal problema para os pequenos proprietários por causa da névoa noturna. Segundo ele, grandes donos de terra conseguem absorver melhor os gastos adicionais provocados pelo clima. O governo de Sindh aprovou um novo mercado de pimentas em Kunri, com armazéns e espaços para leilões destinados a proteger a colheita.

Diversificação das propriedades

A queda da produtividade, o encarecimento dos fertilizantes e os problemas persistentes de irrigação levaram muitos agricultores a buscar outras culturas. Dars reservou 1,6 hectare para plantar 800 pés de mamão. Ainda assim, ele avalia que poucas plantações talvez resistam aos eventos climáticos extremos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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