NOVA YORK — A Quiĕtus começou a atender pacientes em casa para ajudá-los a cumprir as exigências legais e médicas da assistência médica para morrer, prática que Nova York legalizou recentemente. O serviço não mantém consultório e iniciou as atividades em 5 de agosto.
A equipe foi criada por nove profissionais da saúde, entre eles Tara Shapiro, médica de cuidados paliativos. Também participam David Atkins, assistente social de cuidados paliativos que já foi monge budista; Cristian Zanartu, médico que trata pacientes com traumas por meio de terapia com cetamina; e Daniel Cogan, enfermeiro especializado em dores crônicas.
Os pacientes passam por duas avaliações médicas e uma avaliação de saúde mental. Depois, podem receber a prescrição da combinação de medicamentos que os matará. O custo total do atendimento é de pouco menos de US$ 12 mil (cerca de R$ 62 mil).
A criação do serviço envolveu decisões sobre a compra, o armazenamento e a entrega dos medicamentos. Rob Siegel, integrante do grupo, encontrou uma farmácia familiar em Manhattan disposta a fornecer as doses. A equipe também discutiu como organizar o envio de substâncias potencialmente letais até a casa dos pacientes.
Os limites do atendimento
A experiência de Tara Shapiro com a morte assistida começou em 2023, quando ela e a família viajaram de carro até Vermont, depois que o estado passou a permitir a assistência médica para morrer a pessoas de outros estados. A sogra de Tara, Janice Shapiro, tinha 81 anos, sofria de uma doença muscular degenerativa e já havia decidido que estava pronta para morrer. Em um imóvel alugado, Tara misturou os pós em um copo com suco de maçã. Janice morreu em 20 minutos.
Médica de cuidados paliativos, Tara havia presenciado centenas de mortes e trabalhado em hospitais durante três décadas. A experiência a levou a refletir sobre o juramento de Hipócrates e sobre a mudança de combater a morte para acelerá-la.
Os integrantes da Quiĕtus também discutiram os limites da atuação. Daniel Cogan defendia que a equipe deveria estar disponível caso um paciente sentisse dor durante a noite e quisesse morrer. Zanartu avaliava que uma morte reconfortante talvez não devesse estar disponível sob demanda.
A lei de Nova York está entre as mais rigorosas. A assistência médica para morrer é legal em 13 estados. Tara afirmou que muitas pessoas que procuram o serviço não atendem aos critérios, como alguns pacientes com Parkinson cujos médicos dizem que ainda têm mais de seis meses de vida.
Em 5 de agosto, Zanartu visitou a primeira paciente, uma mulher de meia-idade com câncer terminal. “Você representa o alívio, mas também representa o horror”, disse o médico. “Você é a solução e o pesadelo.”


