PALMAS — A transferência de Kauan, de 5 anos, para um hospital de São José do Rio Preto (SP) depende agora da confirmação de um leito e da organização de uma UTI aérea. O menino tem uma malformação congênita no coração, apenas um ventrículo funcional e está internado na UTI Pediátrica do Hospital Geral de Palmas (HGP).
A equipe médica da unidade emitiu um novo relatório após a mãe da criança, Laise Sousa Carvalho, fazer um protesto em busca da remoção. O documento apontou a necessidade urgente de levar Kauan à unidade paulista onde o tratamento foi iniciado. A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou que uma nova avaliação liberou o menino para o transporte.
Laise se acorrentou no portão do HGP e depois diante da sede do Ministério Público do Tocantins (MPTO), na quarta-feira, 9 de setembro de 2026. Ela cobra o cumprimento do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), solicitado desde 2024, para que o filho seja submetido à cirurgia cardíaca.
Condição clínica e tratamento
Kauan já passou por duas cirurgias no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto e precisa de um terceiro procedimento de grande porte. Ele recebe alimentação por sonda, não anda, não fala e tem dificuldades respiratórias.
A cirurgia de Fontan é indicada para pacientes que nasceram com apenas um ventrículo funcional. No caso do menino, a intervenção corresponde à terceira etapa do tratamento da cardiopatia congênita.
Decisões judiciais e remoção
Em julho de 2025, o Tribunal de Justiça determinou que o Estado do Tocantins providenciasse a transferência por UTI aérea, com acompanhante e pagamento de estadia e alimentação. Após o não cumprimento da decisão, o juiz Edimar de Paula, da Vara da Família de Paraíso do Tocantins, ordenou o bloqueio de verbas públicas estaduais para custear a cirurgia e o transporte.
A SES afirmou que a remoção não havia ocorrido porque avaliações especializadas feitas em agosto de 2026 a contraindicaram. As equipes de Cirurgia Cardiovascular e Cardiologia Pediátrica apontaram fragilidade clínica e neurológica e comprometimento dos acessos vasculares, fatores que aumentavam os riscos naquele momento.
Depois da nova avaliação, a equipe de Regulação do HGP foi acionada para tratar da transferência com o hospital de destino. A SES informou que o transporte ocorrerá quando houver leito disponível. O MPTO recebeu Laise, registrou novas informações e encaminhou o material à Promotoria de Justiça responsável pelo processo, que tramita sob segredo de Justiça.

