PALMAS — A Secretaria de Estado da Saúde informou que Kauan Carvalho Martins foi liberado para transferência a um hospital em São Paulo, onde deverá ser avaliado para uma cirurgia cardíaca. A remoção será feita por UTI aérea assim que houver disponibilidade de leito, após a equipe de Regulação do Hospital Geral de Palmas (HGP) entrar em contato com a unidade de destino.
Kauan está internado na UTI Pediátrica do HGP. Aos 5 anos, ele tem uma malformação congênita no coração e precisa de uma cirurgia de Fontan, considerada de grande porte. O menino já passou por dois procedimentos no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, em São Paulo, e necessita de uma terceira cirurgia.
A criança recebe alimentação por sonda, não fala, não anda e tem dificuldade para respirar. A família mora em Paraíso do Tocantins, na região central do estado.
Relatório e decisões judiciais
A UTI Pediátrica do HGP emitiu um relatório solicitando a transferência e apontando a necessidade de exames específicos e complexos em São José do Rio Preto, local de referência para o tratamento de Kauan. O documento também recomenda transporte de Tratamento Fora do Domicílio e UTI aérea, além de uma permanência curta na UTI por causa da necessidade de avaliação especializada.
A mãe, Laise Sousa Carvalho, pediu o tratamento fora de domicílio há dois anos. Em julho de 2025, a Justiça determinou que o Estado transferisse Kauan para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto por UTI aérea, com direito a acompanhante e custeio da estadia. Um ano depois, houve nova decisão judicial, com bloqueio do valor necessário para a cirurgia.
Na manhã da última quarta-feira (9), Laise se acorrentou ao portão do HGP. No mesmo dia, ela deixou o local e se acorrentou em frente ao Ministério Público. O órgão informou que a mãe foi atendida pelas equipes de Assistência Social e de Atendimento ao Cidadão. O Ministério Público atua no processo judicial sobre a assistência à saúde de Kauan, ajuizado pela Defensoria Pública.
A Secretaria Estadual de Saúde havia informado que uma avaliação anterior considerou a cirurgia de Fontan contraindicada, devido ao comprometimento dos acessos vasculares e à fragilidade clínica da criança. De acordo com a pasta, um relatório médico emitido em 6 de agosto pela equipe de Cirurgia Cardiovascular e Cardiologia Pediátrica contraindicava a remoção naquele momento. Após nova avaliação de médicos especialistas, a transferência foi liberada e os procedimentos foram iniciados.

