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Último morador deixa a favela do Moinho após demolição da casa

Manuel Severino Silva dos Santos, que vivia na comunidade havia pelo menos 20 anos, recebeu financiamento para morar em condomínio próximo.

Último morador deixa a favela do Moinho após demolição da casa
Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Manuel Severino Silva dos Santos, 53, deixou nesta terça-feira (15) a favela do Moinho, no centro de São Paulo. Porteiro e morador da comunidade havia pelo menos 20 anos, ele só saiu depois que sua casa foi demolida. O imóvel era uma das duas últimas residências inteiras em um terreno tomado por entulho.

Santos havia ficado fora do plano de reassentamento destinado às famílias da comunidade. A carta de crédito não foi aprovada inicialmente porque a análise somou ao salário de R$ 2.480 o adicional noturno, as horas extras e o auxílio para alimentação. Com isso, a renda ultrapassou o limite de R$ 4.700 estabelecido pelo governo federal.

Depois que sua situação veio a público, as contas foram refeitas e o financiamento foi liberado sem cobrança de taxa ou imposto, afirmou Santos. Ele vai morar em um apartamento de um condomínio próximo ao Moinho e aguarda apenas a entrega da escritura. Nesta terça, recolheu seus pertences, que seriam levados pela irmã ao novo imóvel.

O programa de reassentamento incluiu cerca de 850 famílias e foi acordado entre as gestões de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do presidente Lula (PT). A proposta ofereceu moradias 100% subsidiadas para os moradores que deixassem a área. O terreno pertencia à União e foi cedido ao estado para a criação de um parque público. O governo paulista é responsável pelas ferrovias de trens metropolitanos que cercam o local.

Demolições e reassentamento

A gestão Tarcísio conseguiu na Justiça autorização para demolir construções vazias, sob a justificativa de evitar a reocupação. Os moradores saíram aos poucos, até que a rua principal do Moinho ficasse deserta. Santos disse que chegou ao local quando “era tudo barraco de madeira” e que construiu sua casa gradualmente.

“Eu não queria sair, eu gostava de morar aqui, tinha muitas amizades, muitos amigos, mas a gente vai ter que sair, fazer o quê?”, afirmou. Ele também disse estar ansioso por nunca ter morado em um apartamento e temer que sua gata não se acostume à nova residência.

Nascido em Bom Jardim (PE), divorciado e pai de um filho adulto, Santos lamentou perder a convivência com os amigos da comunidade. A remoção ocorreu em meio ao plano de requalificação urbana da região central e coincidiu com o desmonte da cracolândia.

A equipe do governador afirmou que a retirada era necessária para levar adiante a construção da nova sede do governo paulista, prevista para um local a um quilômetro do Moinho. O custo estimado é de aproximadamente R$ 31 bilhões: R$ 6 bilhões para as torres de escritórios e R$ 25 bilhões para a gestão do espaço por 30 anos. O governo avalia que concentrar os órgãos estaduais reduzirá gastos com aluguéis e manutenção.

A remoção começou há pouco mais de um ano. Segundo investigação do Ministério Público, a comunidade abrigava uma célula da facção criminosa PCC. Operações das forças de segurança resultaram em confrontos com moradores. O reassentamento foi definido em meados de 2025, com imóveis totalmente subsidiados. O valor oferecido foi de R$ 250 mil, sendo R$ 180 mil da União e R$ 70 mil do estado. Para quem escolheu apartamentos ainda não concluídos, foi previsto auxílio-moradia de R$ 1.200 mensais durante a espera.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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