O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que a articulação chamada Escudo das Américas pode abrir espaço para ações militares na região e criticou o uso de tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros como forma de pressão política.
A coalizão reúne Javier Milei, da Argentina, Abelardo de la Espriella, da Colômbia, e Nayib Bukele, de El Salvador. Também participaram da iniciativa Equador, Paraguai e Panamá. Segundo integrantes do Palácio do Planalto, esses países buscam manter uma boa relação com o Brasil, mas apoiaram a proposta americana por razões distintas, como alinhamento a Donald Trump, busca por recursos financeiros e tentativa de evitar ações militares dos Estados Unidos em seus territórios.
No mês passado, após um pedido do governo Trump, o grupo assinou um acordo para classificar formalmente facções criminosas como ameaças compartilhadas e submetê-las a sanções. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre os 24 grupos apontados como alvos da proposta.
Amorim disse que a medida cria um cerco ao Brasil ao equiparar o crime organizado ao terrorismo internacional. Auxiliares diretos de Lula classificaram a iniciativa como muito grave e como uma possível porta de entrada para ações militares, citando o que ocorreu na Venezuela e na Colômbia. Neste ano, o governo Trump também classificou PCC e CV como organizações terroristas, decisão criticada por integrantes do governo brasileiro.
Tarifas sobre produtos brasileiros
Amorim afirmou ainda que os Estados Unidos usaram o tarifaço para intimidar Lula durante o processo eleitoral brasileiro. A Casa Branca anunciou duas medidas: uma tarifa de 25%, sob a alegação de que o Brasil adota práticas desleais em temas como PIX, etanol, propriedade intelectual e desmatamento; e outra de 12,5%, atribuída à falta de medidas para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Negociadores brasileiros avaliaram que as tarifas tiveram motivação política. Eles afirmaram que os dados apresentados pelo Brasil foram desconsiderados e que os Estados Unidos usaram informações improcedentes sobre a relação comercial entre os dois países.
“O tarifaço foi uma medida de intimidação”, declarou Amorim. Ele também disse que Lula e Geraldo Alckmin enfrentam tarefas difíceis e não se acomodam às exigências americanas.


