SÃO CARLOS — Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que Alexandre de Moraes não tem condições de continuar no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que o ministro seja formalmente investigado. Durante agenda na cidade do interior de São Paulo, o candidato também declarou apoio à instituição e disse ter visto uma “luz no fim do túnel” nas manifestações de Edson Fachin, presidente da Corte.
A crise ganhou espaço na campanha presidencial após novos elementos das investigações relacionadas ao Banco Master envolverem integrantes do Supremo no debate político. As respostas dos candidatos variaram entre a defesa de apurações dentro das regras institucionais, mudanças no Judiciário, afastamento de ministros, prisão e discussão de uma nova Constituição.
Propostas para o Supremo e o Judiciário
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que eventuais irregularidades devem ser investigadas sem que suspeitas sejam tratadas como condenações antecipadas. Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente voltou a defender uma reforma do Judiciário e disse que pretende discutir mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, caso seja reeleito.
Lula também sustentou que a legislação deve valer para todos e afirmou que ninguém pode usar um cargo público em benefício próprio. O presidente lembrou que seu governo foi responsável pela reforma do Judiciário aprovada em seu primeiro mandato.
Augusto Cury (Avante) defendeu que todas as autoridades envolvidas em suspeitas sejam investigadas e que ninguém seja poupado. O candidato afirmou que a crise contribui para a perda de confiança nas instituições e propôs uma reforma no STF.
Renan Santos (Missão) declarou que o Brasil precisa discutir uma nova Constituição. Caso seja eleito, afirmou que pretende atuar pelo afastamento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Posições sobre Moraes
Romeu Zema (Novo) defendeu a prisão de Moraes. Em sabatina, afirmou que os fatos relacionados ao ministro seriam motivo para prisão, e não apenas para um eventual processo de impeachment. O candidato também voltou a criticar a existência de autoridades que, segundo ele, não seriam responsabilizadas por seus atos.
Ronaldo Caiado (PSD) pediu a renúncia de Moraes e afirmou que a permanência do ministro pode ampliar as reações contra o Supremo e colocar em risco a ordem democrática. Caiado classificou a situação da Corte como uma “desordem institucional” e propôs mudanças nas regras do Judiciário, incluindo uma idade mínima para ministros do Supremo.
O candidato também defendeu a quebra dos sigilos das investigações relacionadas aos casos Master, Dark Horse e INSS. Na sexta-feira (4), citou a iniciativa de André Mendonça de tornar informações conhecidas e mencionou a eleição de quatro de outubro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, criticou Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, a quem acusou de tentar proteger Moraes. Para Flávio, Alcolumbre deveria preservar as instituições, e não ministros individualmente.


