A falta de empregos e a preocupação com a segurança estão entre os fatores que mais influenciam a visão política de Laiza Sousa, baiana que mora em Aracaju. Beneficiária do Bolsa Família, ela reconhece a importância da renda, mas não considera o programa suficiente para escolher um candidato ou viajar até Salvador para votar em 4 de outubro.
Laiza sabe que o programa foi criado durante o primeiro mandato de Lula. Ainda assim, afirma que o benefício não a leva a apoiar o presidente. Ao explicar sua posição, menciona a percepção de corrupção e o aumento dos preços. “Com R$ 500 não se faz nada no mercado, porque está tudo caro”, diz.
Renda, trabalho e estudo
O benefício mensal de Laiza é de R$ 600, com acréscimo de R$ 150 por ter um filho. Ela afirma cumprir as exigências relacionadas à escola e à carteira de vacinação. Também trabalha como atendente em uma pequena mercearia na avenida da praia, de domingo a domingo, das 7h às 15h, com uma folga por semana e um domingo por mês. Recebe um salário mínimo.
Aos 22 anos, Laiza cursa a última etapa do ensino fundamental pela Educação de Jovens e Adultos. Ela pretende concluir o ensino médio em dois anos e, depois, fazer um curso técnico de enfermagem. Desde os 14 anos, já fritou pastel, trabalhou no caixa de uma loja, vendeu açaí e atuou em uma fábrica de cadeira de fibra sintética.
Para ela, o Bolsa Família pode levar parte dos beneficiários à acomodação e virar uma ilusão caso seja bloqueado por uma exigência não cumprida ou pela assinatura de uma carteira de trabalho. Laiza diz não temer perder a renda porque também trabalha. Entre suas despesas estão aluguel de R$ 600, água, luz, internet, alimentação, produtos de uso pessoal e perfumes do Boticário.
Críticas aos candidatos
Laiza avalia que muitas pessoas votam em Lula por causa de políticas como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família, cujo reajuste de 15% ocorreu às vésperas do pleito. Para ela, esse tipo de iniciativa é uma obrigação básica dos governantes, e não deveria ser o principal motivo para uma escolha eleitoral.
Embora reconheça que Lula tenha feito coisas boas, ela o associa a episódios de corrupção. Também não demonstra simpatia por Flávio Bolsonaro, candidato do PL. Segundo Laiza, os dois não contribuíram para melhorar o país. Ela afirma que as condições de vida pioraram e aponta a falta de postos de trabalho como uma preocupação, especialmente para quem não tem escolaridade considerada suficiente.
A eleitora diz que nenhum dos dois a faria enfrentar as seis horas de ônibus entre Aracaju e Salvador. Ao comparar os grupos políticos, porém, considera Jair Bolsonaro pior e critica sua atuação e declarações. Sobre Flávio, afirma que ele pertence ao mesmo ambiente político do pai.
Mudança de cidade e planos
Nascida em Salvador, Laiza mudou-se para Aracaju há sete meses. Na capital baiana, vivia no Bairro da Paz, mas decidiu sair após conflitos familiares e por considerar Orlando Dantas, em Aracaju, mais tranquilo. Ela relata que o bairro de Salvador já teve muita violência, embora tenha melhorado.
A segurança está entre suas preocupações centrais. Laiza diz que deixou de assistir aos jornais na televisão por não suportar notícias sobre violência. Ela se declara negra, passou a seguir o candomblé e afirma ter sofrido preconceito de cristãos. A religião, a terapia e alguns amigos a ajudam durante um período pessoal difícil, no qual o filho está sob os cuidados do pai em Salvador.
Laiza está montando um pequeno negócio de manicure. Pretende usar a renda para pagar o curso técnico de enfermagem, melhorar a vida do filho e ajudar outras crianças. Para a Presidência, diz desejar alguém que pense no bem-estar dos outros, independentemente de gênero, cor ou religião.


