O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (15) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou trechos de investigações do caso Master de acordo com interesses próprios. Ele defendeu que as informações sejam abertas para esclarecer a participação de autoridades e políticos nas apurações envolvendo o Banco Master.
A declaração foi dada em entrevista à Record, após uma sessão do STF sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. Um relatório da Polícia Federal apontou Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mendonça retirou o sigilo de mensagens entre os dois.
Lula questionou por que Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques não participaram da votação. Os dois ministros se declararam impedidos de julgar o tema. Toffoli alegou razões de foro íntimo, enquanto Nunes Marques citou conflito por ocupar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os nomes dos ministros e de familiares também apareceram nas investigações do caso Master.
“Não há ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita ou acusação contra ele”, afirmou Lula. O presidente disse que a Suprema Corte deve recuperar a confiança da sociedade e defendeu a abertura dos sigilos telefônicos dos envolvidos.
A sessão terminou sem decisão, após pedido de vista de Flávio Dino. O encontro durou mais de seis horas e foi marcado por discussões entre ministros.
Lula também voltou a defender uma reforma do Judiciário e a criação de critérios para magistrados. Para ele, todos os envolvidos devem ser investigados, sem distinção, e eventuais responsáveis precisam ser julgados e punidos.
Segurança pública
Na mesma entrevista, Lula afirmou que pretende realizar uma ação experimental contra o tráfico de drogas e armas na sexta-feira (18), no Rio de Janeiro. Ele disse que o ministro da Fazenda deverá se preparar para a possibilidade de dobrar o efetivo da Polícia Federal.
Questionado sobre o uso do termo terrorista para se referir a facções criminosas, Lula afirmou que essas organizações são terroristas para a população brasileira, mas não no sentido de terrorismo de Estado associado às declarações de Donald Trump.
O presidente já havia comentado a crise do STF em entrevista ao SBT. Na ocasião, afirmou que Edson Fachin havia colocado “um pouco de ordem na casa”, mas esperava novas medidas e uma investigação de todos os envolvidos.
Lula também criticou o que chamou de vazamentos seletivos e afirmou que informações sigilosas não devem ser divulgadas para atender ao interesse de uma ou outra pessoa. Segundo ele, caso Moraes, Mendonça ou Fachin tenham cometido irregularidades, cada um deverá responder por seus atos.


