Luiz Inácio Lula da Silva usou o pronunciamento presidencial de 7 de Setembro para defender a soberania nacional, a exploração de minerais estratégicos e a autonomia brasileira no comércio internacional. A fala foi transmitida em rede nacional de rádio e televisão na noite deste domingo (6), às vésperas das eleições.
Sem citar diretamente Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Lula criticou a interferência estrangeira na exploração mineral, na extração de petróleo na Foz do Amazonas e nas relações comerciais do Brasil. "Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém", afirmou.
No discurso, o presidente disse que as terras raras e os minerais críticos devem ser utilizados para desenvolver tecnologia e gerar empregos no país. Ele também mencionou a aprovação, no Congresso Nacional, do Marco Legal dos Minerais Críticos, ocorrida na última semana. Lula afirmou ainda que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e que descobriu, no último mês, uma nova reserva de petróleo.
A defesa dos minerais estratégicos passou a integrar a campanha de reeleição de Lula. O tema ganhou espaço após o aumento do interesse nacional e internacional por essas reservas. Ronaldo Caiado, rival de Lula na disputa presidencial, sugeriu uma parceria com os Estados Unidos para a exploração de minerais em Goiás.
Jornada de trabalho e autorização eleitoral
Lula também associou soberania à ampliação das oportunidades, ao acesso à educação e à saúde pública, à independência financeira e à possibilidade de ter mais tempo para si e para a família. Ele não mencionou especificamente o fim da jornada 6x1.
A Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada foi aprovada na CCJ do Senado na última semana. Davi Alcolumbre, presidente da Casa, afirmou que o tema deverá ser analisado pelo plenário após o primeiro turno. Lula havia articulado o avanço dessa e de outras pautas com Alcolumbre e Hugo Motta, presidente da Câmara.
Para realizar o pronunciamento tradicional do Dia da Independência, Lula recebeu autorização do TSE, que restringe o uso de recursos e equipamentos públicos durante o período eleitoral. O desfile desta segunda (7) também terá restrições, sem distribuição de itens temáticos da Independência, como bonés.
A gravação ocorreu antes do agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal, marcada pela disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Lula não tratou do assunto no pronunciamento. O desfile em Brasília terá como mote a frase "A Força que Une o Brasil".


