Luiz Inácio Lula da Silva não se manifestou publicamente sobre a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A medida foi tomada nesta terça-feira (8).
Lula acompanhou os desdobramentos e se reuniu com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias. No mesmo dia, durante evento no Palácio do Planalto relacionado ao Dia da Amazônia, o presidente tratou apenas de questões ambientais.
Nesta quarta-feira (9), Lula embarca para Teresina, no Piauí. A agenda inclui compromissos de governo e atividades ligadas à campanha eleitoral. Não estão previstos compromissos oficiais em Brasília.
Contestação da AGU
A Advocacia-Geral da União apresentou pedido ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para reverter a decisão. O órgão afirma que o afastamento interfere na competência do presidente da República para nomear e exonerar o diretor-geral da Polícia Federal. Também argumenta que a saída imediata pode prejudicar a administração da corporação e causar descontinuidade em suas atividades.
Além de Andrei Rodrigues, Mendonça afastou o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. O ministro apontou suspeitas de monitoramento ilegal de autoridades e determinou a abertura de investigações criminais e administrativo-disciplinares pela Corregedoria da Polícia Federal.
A decisão também suspendeu a elaboração e o compartilhamento de relatórios de inteligência sobre a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da polícia judiciária. Mendonça afirmou que teria ocorrido monitoramento ilegal, por mais de um mês, de sua atuação e de Jorge Messias.
A Segunda Turma do STF começou a analisar a decisão e registrou três votos favoráveis à sua manutenção: de Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes, e a liminar continua válida.
Na Polícia Federal, diretores divulgaram nota de “total apoio” a Andrei Rodrigues e colocaram os cargos à disposição de William Marcel Murad, diretor-geral substituto. A Associação dos Delegados da Polícia Federal defendeu que o afastamento seja analisado pelo plenário do STF, e não apenas por decisão individual.


