A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de inteligência da instituição, Leandro Almeida, aproximou diretamente o governo de Luiz Inácio Lula da Silva da crise no Supremo Tribunal Federal. A Advocacia-Geral da União deverá defender Rodrigues.
Lula vinha tentando manter distância do conflito entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Desde que o envolvimento de Moraes em um inquérito sobre fake news com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou dimensão de escândalo, na semana passada, o presidente pediu uma investigação ampla e transparente. Agora, terá de assumir uma posição mais clara no caso, especialmente diante da avaliação da AGU de que Mendonça pode ter excedido os limites de sua decisão.
A reação de Mendonça ocorreu depois de Moraes avançar contra o colega. A resposta foi acompanhada de documentos apresentados como evidências de má conduta. O conflito voltou a escalar nesta terça-feira (8), e a referência de Mendonça ao Grande Irmão, personagem associado à vigilância em obra de George Orwell, foi interpretada no texto como um sinal de que a disputa pode avançar.
Pressão política e Conselho da República
Flávio Bolsonaro já havia apoiado Mendonça, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, durante o ato de 7 de Setembro em São Paulo. Silas Malafaia também cobrou uma posição dos ministros que analisariam a decisão sobre a Polícia Federal.
O presidente do STF, Edson Fachin, não conseguiu conter o confronto entre os ministros. O pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu temporariamente a análise do caso, mas a trégua é considerada incerta.
Marco Aurélio Carvalho, advogado próximo de Lula, defensor de Lulinha e integrante da campanha presidencial, sugeriu convocar o Conselho da República para tratar de uma “crise institucional sem precedentes”. O órgão aconselha o presidente sobre a adoção de estado de defesa ou de sítio.
A possibilidade já havia sido discutida em 2016, quando parlamentares próximos de Dilma Rousseff consultaram o Exército. Em 2019, o então comandante Eduardo Villas-Bôas revelou o episódio. Em 2021, Jair Bolsonaro afirmou que convocaria o conselho diante de uma multidão reunida em Brasília, mas a reunião não ocorreu. Bolsonaro seria condenado depois a 27 anos e três meses de prisão.


