A sessão do Supremo Tribunal Federal que analisa a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes foi marcada por uma série de confrontos entre Gilmar Mendes e André Mendonça. O decano criticou o colega em pelo menos cinco episódios, envolvendo decisões sobre a Polícia Federal, o Banco Master e mensagens atribuídas a autoridades.
Um dos principais pontos de divergência foi o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, determinado por Mendonça e referendado pela Segunda Turma no mesmo dia. Gilmar pediu vista do caso e classificou a medida como vexatória. Luiz Fux, que havia votado a favor da decisão, defendeu a Segunda Turma e acusou a corporação de desafiar um ministro do Supremo.
Gilmar também afirmou haver uma atuação irregular dentro da Polícia Federal. “Nós temos hoje uma PF paralela, com monitoramento de ministros”, disse, ao criticar o que descreveu como vigilância de integrantes da Corte.
Banco Master e críticas políticas
Na discussão sobre o Banco Master, o decano acusou Mendonça de tratar com condescendência Kassio Nunes Marques nas apurações sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades. Gilmar citou um relatório de inteligência da PF anexado ao inquérito e atribuiu ao relator uma postura defensiva em relação a Nunes Marques.
Nunes Marques deixou a sessão após se declarar suspeito, alegando conflito de interesse por presidir o Tribunal Superior Eleitoral em ano eleitoral. Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, e Gilmar o acusou de calcular o momento político para divulgar mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
O decano também mencionou um “pixuleco eleitoral”, em referência ao boneco inflável que retratava Lula vestido de presidiário e foi usado nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Em outro momento, afirmou que havia viés político eleitoral nas decisões de Mendonça. O ministro pediu respeito e chamou Gilmar de leviano. O decano respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.


