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Política

Sheri Berman vê instituições democráticas vulneráveis à insatisfação social

Cientista política afirma que partidos precisam oferecer respostas concretas para recuperar a confiança dos eleitores na democracia.

Sheri Berman vê instituições democráticas vulneráveis à insatisfação social
Foto: Divulgação

A cientista política americana Sheri Berman avalia que a crise democrática atual foi favorecida pela incapacidade de instituições e partidos tradicionais de responder à insatisfação social, econômica e política acumulada nas democracias ocidentais. Para ela, os estudiosos perceberam o aumento do descontentamento, mas não imaginaram que as instituições se tornariam tão vulneráveis.

Professora da faculdade Barnard, associada à universidade Columbia, Berman prepara um livro previsto para o próximo ano sobre a perda do otimismo com a democracia a partir da virada do século 21. Na edição de abril da revista acadêmica Journal of Democracy, ela sustenta que o retrocesso deveria ter sido previsto diante dos novos desafios enfrentados por essas sociedades.

Insatisfação e populismo

Segundo Berman, a insatisfação cresce quando as pessoas entendem que as instituições e os partidos não atendem às suas necessidades. Entre as preocupações citadas por ela estão a situação econômica, a insegurança em relação ao futuro e a imigração. Quando um número expressivo de pessoas conclui que o sistema não funciona a seu favor, aumenta a receptividade a líderes chamados de populistas, pseudoautoritários, radicais ou extremistas.

A cientista política afirma que os antidemocratas são, ao mesmo tempo, sintomas desse descontentamento e agentes que aprofundam divisões, raiva e ressentimento. Por isso, os partidos deveriam formular políticas capazes de responder às demandas sociais ou explicar como enfrentar os problemas que geram preocupação.

Berman também defende que a disputa política não seja organizada em torno de visões de mundo que transformem o adversário em uma ameaça existencial. Para ela, o debate deveria se concentrar em escolhas de política pública, como impostos, regulamentação, imigração e prioridades de gasto.

O desafio da recuperação

A professora diferencia a derrubada de ditaduras da reconstrução de democracias duradouras. Em países como Hungria, Turquia, Estados Unidos e Brasil, segundo ela, as instituições foram enfraquecidas, mas não totalmente eliminadas. Nesse cenário, o desafio é fortalecê-las novamente sem uma mudança constitucional ampla ou uma ruptura completa com as estruturas existentes.

Berman observa que um novo governo interessado em restaurar a democracia enfrenta obstáculos porque continua atuando dentro das mesmas instituições. Integrantes do regime anterior podem permanecer no Judiciário, na burocracia, nas escolas e na imprensa. O resultado pode ser uma alternância entre avanços e retrocessos, com governos comprometidos com a democracia sucedidos por líderes autoritários ou populistas.

Sobre o Brasil, ela afirma que as instituições impediram Jair Bolsonaro de concorrer novamente depois da tentativa de golpe. Ao mesmo tempo, avalia que os eleitores ainda demonstram demanda por líderes como Donald Trump, Bolsonaro e o filho do ex-presidente. Para Berman, a democracia perde apoio quando não entrega resultados percebidos pela população.

Influência estrangeira

A cientista política considera preocupante a atuação de governos autoritários em favor de aliados no exterior, mas diz que esse tipo de interferência não é novo. Ela cita as operações de influência de Vladimir Putin e dos chineses e afirma que Donald Trump se beneficia de sua posição como presidente dos Estados Unidos para apoiar parceiros políticos.

O impacto dessa influência, porém, varia de acordo com cada país. Na avaliação de Berman, Trump pode acelerar tendências já existentes, mas não cria sozinho a demanda por soluções pseudoautoritárias. Para que haja uma mudança política, já precisa existir na sociedade uma disposição favorável a esse tipo de liderança.

Berman espera que a crise seja uma fase passageira. Para isso, os eleitores precisam concluir que radicais, autocratas e populistas não cumpriram as promessas de corrigir sistemas considerados corruptos ou ineficientes. Ao mesmo tempo, os partidos democráticos precisam apresentar planos viáveis e atraentes para lidar com os problemas sociais e econômicos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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