BANGALORE — A startup Dognosis desenvolve um método de análise do hálito humano em que cães são equipados com sensores e têm suas reações convertidas em dados por inteligência artificial. A iniciativa ainda é experimental e busca criar uma etapa inicial, não invasiva, para a detecção de câncer.
A empresa usa um capacete e uma coleira impressos em 3D durante os testes com Chloe, uma cadela de quatro anos que participa do projeto em uma fazenda nos arredores da cidade. O sistema acompanha a atividade cerebral, a respiração e a linguagem corporal do animal enquanto ele entra em contato com odores.
Como funciona o teste
O paciente respira em uma máscara de algodão por cerca de 10 minutos. Depois, o material é selado em um saco e levado ao laboratório, onde um cão fareja a amostra. A hipótese estudada é que doenças alterem as substâncias químicas liberadas pelo corpo, produzindo odores característicos.
A capacidade olfativa dos cães é central para a pesquisa. Eles têm aproximadamente 300 milhões de receptores olfativos, enquanto os humanos possuem cerca de 5 milhões. Akash Kulgod, 26, cofundador da Dognosis, afirma que os animais podem avaliar uma amostra a cada farejada: “Eles podem farejar mil vezes por hora”.
Estudos globais indicam que cães podem ser treinados para identificar câncer e outras doenças, como Parkinson e Covid-19. A Dognosis realiza pesquisas em colaboração com instituições médicas governamentais.
Resultados e próximos passos
Um estudo recente da empresa reuniu cerca de 1.500 participantes de seis hospitais de Karnataka e foi publicado na revista Journal of Clinical Oncology. A Dognosis alegou precisão de 90% na identificação de sete tipos de câncer. A empresa prevê um lançamento comercial em 2027 e segue o caminho de outras duas empresas do segmento na Alemanha e em Israel.
Especialistas de Bangalore que não participam do projeto avaliaram os resultados com cautela. Santhosh Kumar Devadas, chefe de Oncologia do Hospital Memorial Ramaiah, disse: “O estudo é promissor; é um sinal inicial”. Ele também afirmou que são necessários grupos maiores antes de conclusões definitivas. Neelesh Reddy, consultor de Oncologia dos hospitais de Manipal, declarou que só o tempo mostrará a utilidade da tecnologia para pacientes reais.


