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Saúde

Revisão de diagnósticos revela tratamento de 11 anos sem câncer cerebral

Becky Jones recebeu quimioterapia por mais de uma década antes de exames concluírem que ela tinha uma inflamação tratável com corticoides.

Revisão de diagnósticos revela tratamento de 11 anos sem câncer cerebral

Uma revisão independente concluiu que Becky Jones nunca teve câncer cerebral, embora tenha recebido quimioterapia por 11 anos após ser diagnosticada, aos 21 anos, com um tumor terminal. Aos 34 anos, ela descobriu que sofria de desmielinização tumefativa, uma inflamação no cérebro que normalmente pode ser tratada por neurologistas com corticoides em altas doses.

A análise foi feita em maio de 2025 por neurocirurgiões e radiologistas a pedido dos advogados de Jones. Ela recebeu a conclusão durante uma videochamada com os especialistas e seus representantes legais. Fiona Tinsley, sócia do escritório Brabners, disse que havia lágrimas nos olhos dos participantes ao ser confirmada a revisão do diagnóstico.

Diagnóstico e tratamento

Em 2012, Jones trabalhava como operadora de circuito interno de televisão no estádio do Coventry City e havia conhecido seu companheiro, Pete, que atuava como segurança no local. Depois de começar a sofrer de fortes enxaquecas, procurou atendimento e foi submetida a uma biópsia cerebral realizada por um neurocirurgião particular.

Segundo Tinsley, o professor Ian Brown diagnosticou Jones com um glioblastoma de grau 4 antes da divulgação dos resultados da biópsia. Brown trabalhava no University Hospital, em Coventry, e informou que ela precisaria usar temozolomida, também chamada TMZ, pelo resto da vida. As diretrizes recomendavam seis ciclos do medicamento ao longo de seis meses.

Jones questionou o médico sobre exames de imagem que pareciam não mostrar um tumor. Ela afirma que Brown respondeu que a lesão não seria visível a olho nu. O tratamento prosseguiu por mais de uma década, com náuseas, dores no estômago, úlceras na boca e cansaço diário.

O medo de infecções fez com que Jones evitasse eventos sociais e encontros familiares. Sua carteira de motorista foi inicialmente suspensa e depois teve o uso restringido. Ela também deixou de frequentar a academia, correr e sair para comer com Pete. O casal havia sido informado de que ela não poderia engravidar, mas Jones teve dois filhos.

Interrupção e descoberta

Em 2024, um médico telefonou para Jones e informou que a quimioterapia seria interrompida. Ela disse que não recebeu uma justificativa e que só ouviu, pela primeira vez, que Brown havia se aposentado. Também afirmou que não recebeu o nome de um novo oncologista nem apoio do hospital para esclarecer a mudança.

A revisão de seu caso ocorreu durante a apuração de diagnósticos relacionados a Brown. O levantamento levou Jones a descobrir que nunca havia tido um tumor cerebral. Ela resumiu a situação dizendo: “Disseram-me repetidas vezes que, sem a quimioterapia, eu morreria”.

Jones está entre mais de 40 pacientes que movem uma ação judicial contra o University Hospitals Coventry and Warwickshire (UHCW) NHS Trust por tratamentos contra o câncer prolongados ou desnecessários. Outros pacientes relataram problemas graves associados ao uso prolongado da TMZ. Uma pessoa acredita que o medicamento causou infertilidade; outra desenvolveu leucemia depois de 100 ciclos considerados desnecessários.

Investigação no hospital

As conclusões preliminares de uma investigação do Royal College of Physicians indicaram que pacientes recebiam rotineiramente tratamentos prolongados com TMZ, com pouca ou nenhuma evidência de benefício. Dos 20 casos analisados, 15 foram considerados insatisfatórios de modo geral. Brown não participou da investigação, que se referiu a ele como Dr. Y.

A equipe apontou poucas evidências de que os riscos do medicamento fossem compreendidos e registrados. Também identificou curiosidade clínica insuficiente em alguns casos e falta de colaboração com profissionais de outras especialidades, fatores que permitiram a continuidade de possíveis erros de diagnóstico.

A investigação questionou ainda por que equipes de farmácia oncológica não contestaram o uso contínuo de quimioterapia oral por períodos de 10 a 15 anos. O relatório classificou as falhas da equipe como uma traição da confiança dos pacientes.

O UHCW afirmou que não comentaria casos individuais e informou ter adotado medidas para reforçar a supervisão da prescrição e do uso da TMZ. O hospital também disse que todos os pacientes afetados foram avaliados por médicos experientes e receberam planos de tratamento adequados. A instituição declarou: “Também estamos realizando uma revisão independente dos nossos processos para que funcionários possam relatar preocupações”.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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