Tom Cruise interpreta Curtis, um ator que vive Digger Rockwell, herdeiro de um império petrolífero nos Estados Unidos. No início de Digger, o personagem parece ser um bilionário tentando preservar a própria imagem depois de provocar uma catástrofe climática de escala global. A trama, porém, muda de sentido quando o filme revela que os acontecimentos são parte de uma peça teatral.
Atenção: este texto contém spoilers.
Na história encenada, uma fenda cresce em uma plataforma de exploração na Groenlândia e provoca uma explosão. O acidente lança uma calota de gelo em direção ao norte da Europa. Depois, os abalos formam outro bloco, que avança sobre a própria Groenlândia e ameaça as plataformas de petróleo financiadas por Digger.
O governo americano tenta conter o gelo com bombardeios. A calota se divide em dezenas de pedaços, que atingem diferentes regiões do planeta. O desastre provoca inundações e espalha metano no ar, tornando-o impossível de respirar. Digger se refugia em uma plataforma abandonada em alto-mar, mas morre ao se lançar no oceano depois de ficar sem recursos para sustentar a família.
A partir de cerca de meia hora de filme, o público descobre que essa sequência era o ensaio geral de uma montagem que estrearia naquela mesma noite. Curtis aproveita os intervalos para procurar a filha, que desapareceu depois de embarcar em um pequeno voo no Caribe, em meio às mudanças climáticas na região.
A peça também é apresentada como uma adaptação de um episódio real dentro do universo da produção. Após a tragédia, a história se transforma em uma sátira teatral que alcança status de clássico cult. A nova montagem é financiada por Kenny Rockwell, sobrinho e herdeiro do verdadeiro Digger. Admirador de Curtis, ele localiza o avião da filha do ator e consegue fazer com que ela pouse em segurança.
No encerramento, a plateia de um teatro lotado aplaude a morte de Digger, retratado como o vilão da humanidade. Depois da reverência do elenco, uma voz anuncia “nível 4”, código para que todos coloquem máscaras de ar antes de sair.
As cenas durante os créditos mostram o mundo décadas depois: ruas alagadas por mais de um metro de água, pessoas em botes e montes de carros e robôs destruídos. A humanidade se adaptou à vida entre máscaras e barcos, enquanto a arte permaneceu. Nos cinemas, a mesma voz repete “nível 4” antes de as luzes se acenderem.

