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Economia

Automação e competição interna sustentam avanço industrial chinês, diz Li

Para Hongbin Li, tarifas ocidentais não alteram a eficiência das empresas chinesas e podem acelerar sua expansão em mercados emergentes.

Automação e competição interna sustentam avanço industrial chinês, diz Li
Foto: Divulgação

A automação das fábricas chinesas dificulta a criação de empregos de baixa habilidade e mantém o consumo doméstico como um dos principais desafios da economia do país, segundo o economista Hongbin Li, professor da Universidade Stanford. Ao mesmo tempo, ele avalia que a competição entre empresas e autoridades locais continua impulsionando a indústria e a inovação chinesas.

Li afirma que a China transferiu, nas últimas quatro ou cinco décadas, grande parte do trabalho da agricultura para a manufatura. O avanço tecnológico, porém, reduziu a necessidade de mão de obra nas fábricas. Em unidades que antes empregavam muitas pessoas, máquinas passaram a executar tarefas de forma automática. Para o economista, a tendência torna mais difícil gerar empregos de baixa qualificação e amplia a necessidade de trabalhadores com habilidades elevadas, como engenheiros capazes de operar equipamentos.

A dificuldade também aparece no setor de serviços. Li cita a entrega de alimentos como uma atividade presente em toda a China, mas observa que até esse segmento já utiliza máquinas, inclusive equipamentos que levam comida aos quartos de hotéis. Na avaliação dele, esse processo desafia a criação de empregos e de renda para a população pobre.

Competição como motor industrial

O economista atribui o desempenho da indústria chinesa principalmente à concorrência interna, e não apenas ao apoio estatal. Ele afirma que existem 500 empresas de veículos elétricos no país, com fábricas instaladas em muitas cidades. A disputa reduz custos e leva as empresas a desenvolver produtos funcionais e baratos.

Li diz que muitas dessas companhias não sobreviverão, mas que as que permanecerem serão selecionadas pela competição. O excesso de produção, que não é absorvido pelo consumo chinês, estimula a venda desses produtos no exterior.

Esse modelo também se aplica às autoridades públicas locais. Desde as reformas iniciadas nos anos 70, com Deng Xiaoping, o governo central passou a usar o crescimento econômico como indicador para avaliar os administradores locais. Com isso, eles foram incentivados a disputar investimentos e negócios, em uma dinâmica que Li compara à atuação de empreendedores. O sistema, segundo ele, também pode deixar em segundo plano questões como desigualdade e meio ambiente.

A economia chinesa cresceu cerca de 10% por 30 anos. Hoje, ainda cresce 5%, embora em ritmo menor, afirmou o economista.

Tarifas e expansão externa

Para Li, as tarifas adotadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia não conseguem alterar a lógica de eficiência que orienta as empresas chinesas. Na avaliação dele, as barreiras protegem setores menos eficientes nas economias ocidentais, sem modificar a dinâmica do mercado.

O economista prevê que as restrições podem levar empresas chinesas a ampliar vendas e investimentos produtivos em mercados emergentes, entre eles o Brasil. Ele cita a estratégia adotada pela China na década de 1980, quando o país permitiu a entrada de fabricantes estrangeiros de automóveis para produzir e vender no mercado local.

A Volkswagen, segundo Li, transferiu a produção do modelo Santana para a China e obteve sucesso. Atualmente, empresas alemãs buscam parcerias no país para produzir veículos elétricos com tecnologia chinesa e aprender com esse mercado, de acordo com o economista.

Li esteve em São Paulo entre os dias 19 e 21 de agosto para participar do Encontro Anual de Líderes da Fundação Estudar. Ele é ex-docente da Universidade Tsinghua, codiretor do Stanford Center on China’s Economy and Institutions e autor de The Highest Exam: How the Gaokao Shapes China, livro sobre o exame nacional de admissão ao ensino superior chinês.

O Gaokao é realizado aos 18 anos, depois de 12 anos de educação formal. Cerca de 15 milhões de estudantes fazem a prova a cada ano. O exame foi instituído nos anos 1950 por Mao Tsé-Tung e deriva do Keju, exame imperial criado há cerca de 1.400 anos, durante a Dinastia Sui. Para Li, sua importância ajuda a explicar como a educação, a seleção para universidades e a busca por mobilidade social se relacionam com o desenvolvimento chinês.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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