NOVA YORK E LONDRES — Bancos dos Estados Unidos estão sendo questionados sobre os limites e a supervisão de sistemas de inteligência artificial capazes de operar com pouca intervenção humana. Na Europa, autoridades pressionam as instituições a reforçar planos de recuperação para o caso de ataques ou falhas associados à tecnologia.
As consultas americanas são conduzidas pelo Fed (Federal Reserve), pelo OCC (Escritório do Controlador da Moeda) e pela FDIC (Corporação Federal de Seguro de Depósitos). Os órgãos perguntam como os bancos monitoram e aprovam as ações dos agentes de IA, se conseguem auditar suas decisões e quais mecanismos permitem desligar sistemas autônomos.
Também estão em análise o uso de modelos desenvolvidos no exterior, inclusive na China, e a aplicação de agentes na identificação, na priorização e na resposta a ameaças cibernéticas. As perguntas foram feitas por escrito e verbalmente a bancos de grande, médio e pequeno porte. Os reguladores ainda reúnem informações e não definiram exigências prescritivas.
Recuperação de sistemas
No Reino Unido, autoridades supervisoras incentivam os maiores bancos a avaliar planos de recuperação bare metal. As estruturas são independentes da tecnologia principal e podem ser acionadas se os sistemas operacionais forem comprometidos. A manutenção desses recursos é cara, e as autoridades britânicas pretendem trabalhar em colaboração com o setor, sem criar novas exigências por enquanto.
Em julho, o BCE (Banco Central Europeu) estabeleceu o fim de outubro como prazo para os bancos apresentarem planos contra ameaças cibernéticas potencializadas pela IA. As medidas incluem melhorias nos sistemas de backup e recuperação. O Banco da Inglaterra e o BCE também acompanham a capacidade das instituições de mapear o uso da tecnologia em suas operações e entre fornecedores terceirizados.
O objetivo é identificar dependências relevantes e assegurar que os sistemas possam ser desligados e reiniciados de forma controlada. Segundo uma das fontes ouvidas nas avaliações, ainda há lacunas significativas em algumas instituições.
Alertas sobre agentes autônomos
A supervisão ganhou força após alertas sobre incidentes e vulnerabilidades. A CrowdStrike afirmou neste mês que uma pessoa na China provavelmente usou um agente de IA desenvolvido no país e o Claude Code, da Anthropic, em um ataque contra bancos sul-coreanos. Agentes da OpenAI também foram envolvidos em uma invasão à plataforma Hugging Face.
Pesquisadores da Anthropic alertaram que sistemas mais poderosos podem escapar do controle humano. O FMI (Fundo Monetário Internacional) advertiu nesta terça-feira (13) contra a complacência nos mercados financeiros globais e citou a possibilidade de ataques cibernéticos contra serviços essenciais ou instituições financeiras.
O presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, pediu a participação de líderes empresariais em um grupo setorial nos Estados Unidos dedicado aos riscos da IA. Para Michael Woodbridge, sócio da Grant Thornton em Londres, “A adoção da IA frequentemente avança mais rápido do que a capacidade de implementar os controles necessários”.
Sukand Ramachandran, do BCG (Boston Consulting Group), afirmou que a recuperação rápida é tão importante quanto a prevenção. Sem cópias seguras e separadas de dados críticos, um ataque grave poderia impedir o acesso de clientes às contas e interromper pagamentos em toda a economia.


