O plano de governo de Augusto Cury prevê um novo modelo de contenção de gastos para desacelerar o crescimento da dívida pública e a criação de uma pasta voltada à capacitação de trabalhadores diante do desemprego associado à inteligência artificial. Para tratar dessas propostas, a campanha escolheu o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) como representante na área econômica.
A definição ocorreu a poucos dias do primeiro turno das eleições. Hauly é economista, foi secretário da Fazenda do Paraná em duas ocasiões e assinou um manifesto em defesa da implementação da reforma tributária.
Apesar de apoiar a reforma, Cury afirma que pretende fazer ajustes no modelo para evitar “distorções ou prejuízos relevantes” sobre determinados setores da economia. O plano não especifica quais seriam esses setores.
Escolha após consultas
A equipe do candidato vinha sondando nomes no Congresso e no mercado financeiro havia semanas. A demora, segundo Júlio Delgado (Avante-MG), candidato a vice-presidente na chapa, pode ter sido influenciada pelo desempenho de Cury nas pesquisas. Nos primeiros levantamentos, ele aparecia com 2% das intenções de voto.
Delgado também afirmou que assumir a coordenação econômica exigiria que os nomes consultados deixassem temporariamente suas atividades no setor privado. De acordo com ele, os representantes procurados não quiseram abandonar essas funções.
Em campanhas anteriores, Daniella Marques, Robert Brant e Carlos da Costa se licenciaram de atividades em empresas e entidades privadas para atuar nas equipes de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, respectivamente.
“Ele está se consolidando como a terceira via”, disse Delgado. O candidato a vice acrescentou que ex-integrantes do Ministério da Fazenda, economistas e nomes de referência do mercado financeiro participaram como consultores da elaboração do plano de governo.
Desempenho nas pesquisas
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17) mostrou Cury em terceiro lugar, com 6% das intenções de voto, à frente de Zema, Caiado e Renan Santos (Missão). No início de setembro, Cury havia alcançado 10% em uma pesquisa Quaest, mas a mobilização em torno de sua candidatura aparentemente diminuiu.
Membros da campanha disseram, sob condição de anonimato, que o banqueiro André Esteves, chairman do BTG Pactual, foi procurado para indicar um nome para a área econômica. A assessoria de Esteves preferiu não se manifestar.


