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Economia

Mercado imobiliário de Dubai enfrenta cortes, atrasos e queda nas vendas

Conflito reduz o fluxo de visitantes, encarece a operação das ilhas artificiais e aumenta a pressão sobre incorporadoras do emirado.

Mercado imobiliário de Dubai enfrenta cortes, atrasos e queda nas vendas
Foto: AFP

O mercado imobiliário de Dubai enfrenta demissões, processos judiciais e redução nas transações residenciais após o início da guerra no Oriente Médio. Nas The World Islands, arquipélago artificial em formato de mapa-múndi, os efeitos atingem hotéis e projetos que já acumulavam atrasos por dificuldades técnicas, logísticas e regulatórias.

O The Heart of Europe, empreendimento de US$ 6 bilhões (R$ 30,8 bi), inclui o resort Côte d’Azur, inspirado na Riviera Francesa. O complexo fica a 30 minutos de barco da orla de Dubai e não está conectado à rede elétrica. Com a queda de visitantes internacionais, a disparada do diesel usado pelos geradores elevou a pressão sobre a operação.

A incorporadora Kleindienst Group demitiu dezenas de funcionários ou colocou parte da equipe em licença não remunerada nos últimos meses, conforme pessoas com conhecimento do assunto. Ex-funcionários abriram processos por salários não pagos, e investidores também acionaram a empresa por problemas na entrega de imóveis e no pagamento de retornos prometidos. Documentos judiciais registram parte das disputas.

Josef Kleindienst, responsável pelo grupo, afirmou que a empresa continua comprometida com suas obrigações e que os reclamantes podem procurar diretamente a companhia. Ele rejeitou a avaliação de que o The Heart of Europe não seja viável e disse que o projeto foi concebido como um empreendimento turístico de longo prazo, não como um desenvolvimento imobiliário convencional.

A ocupação do complexo avançou de 27% em março para 36% em abril e 56% em maio, segundo Kleindienst. A meta informada era atingir 80% nas semanas seguintes. O grupo também mantém a promessa de inaugurar cinco hotéis até 2027, com trabalhos noturnos para acelerar a conclusão de etapas.

“Mas executá-lo e concretizá-lo é bastante desafiador”, disse Euan Lloyd, responsável pela área de construção e infraestrutura do escritório Al Tamimi & Co. Segundo ele, o empreendimento exige tecnologias e aprovações que não estavam disponíveis quando as obras começaram, fator que contribuiu para tensões com trabalhadores e compradores.

Pressão sobre o setor

O Departamento de Terras de Dubai, conhecido como DLD, passou a se preparar para uma possível consolidação do mercado pouco depois do começo do conflito. O órgão alertou informalmente incorporadoras maiores de que talvez precisassem assumir concorrentes menores com dificuldades de caixa.

As The World Islands foram lançadas como parte da onda de projetos em terrenos aterrados que marcou Dubai há mais de 20 anos. Depois da crise de 2008, a maioria dos empreendimentos foi engavetada, e o arquipélago se tornou um símbolo da ambição excessiva do emirado.

Outros hotéis também sentiram a retração. O Anantara, inspirado nas Maldivas e desenvolvido por uma empresa fundada por Sultan Ahmed bin Sulayem, ex-chefe da DP World, fechou em abril. A Minor Hotels, operadora do empreendimento, atribuiu o encerramento a uma combinação de fatores externos.

Para elevar a demanda, o The Heart of Europe e outros hotéis passaram a buscar moradores de Dubai, oferecendo benefícios como vales para alimentos e bebidas no valor da diária. Kleindienst afirmou que o projeto previa uma divisão equilibrada entre visitantes internacionais e locais, mas passou a priorizar o turismo doméstico depois do início da guerra.

Imóveis residenciais

No continente, o volume de transações residenciais em maio ficou em cerca da metade do nível registrado um ano antes, segundo a ValuStrat. As vendas melhoraram em junho, e a queda dos preços perdeu ritmo, mas o mercado ainda acumulava retração de 10% desde o início da guerra.

Sobha e Azizi, entre as grandes incorporadoras, cortaram centenas de postos de trabalho cada uma para reduzir custos, conforme pessoas familiarizadas com o assunto. O Departamento de Terras declarou que apoiava o setor com regulamentação proativa e monitoramento contínuo. Mais de 2.000 incorporadoras atuam no mercado, de acordo com o órgão.

Ziad El Chaar, presidente-executivo da DarGlobal, afirmou que muitos novos participantes entraram no setor ao interpretar o boom como um negócio fácil. A empresa, conhecida por parcerias com a Trump Organization, desenvolve uma torre de 80 andares com a marca Trump. A conclusão está prevista para daqui a cinco anos, e entre 80% e 90% das unidades já foram vendidas, segundo El Chaar.

As maiores empresas continuam lançando projetos. A Emaar, responsável pela construção da torre Burj Khalifa, anunciou em junho um distrito urbano de US$ 55 bilhões (R$ 282,9 bi), com capacidade para 150 mil moradores. Em maio, a Brookfield anunciou uma nova joint venture de investimento imobiliário em Dubai.

Hussain Sajwani, fundador da Damac Properties, também adotou uma avaliação menos pessimista. “Temos caixa suficiente, os recebimentos vão bem e continuamos lançando projetos. Há muita confiança e credibilidade”, disse.

Mesmo nas ilhas artificiais, há sinais de demanda. O Zuhha Islands by Zaya vendeu suas 30 vilas de luxo antes do início da guerra, com unidades individuais chegando a US$ 24 milhões (R$ 123,4 mi).

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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