SÃO PAULO — A Track&Field realizou 2.373 eventos no primeiro semestre e mantém uma estratégia de expansão sem aquisições e sem dívida. A rede de moda esportiva também reformou unidades para ampliar a área de exposição e, em alguns casos, incluir cafés com produtos de alimentação saudável e esportiva.
No segundo trimestre de 2026, as vendas ao consumidor cresceram 20,7% na comparação com o mesmo período de 2025, para R$ 493,4 milhões. A receita líquida consolidada avançou 15,5%, para R$ 279,7 milhões, enquanto o ebitda ajustado subiu 15,9%.
Lojas reformadas e alimentação
As unidades que passaram por reforma registraram crescimento de vendas entre 36% e 38% no segundo trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi superior ao crescimento médio das vendas em mesmas lojas da rede.
O projeto aumenta o espaço destinado aos produtos e pode incluir cafés com itens de suplementação alimentar e esportiva. A intervenção pode interromper as atividades do franqueado por algumas semanas, mas, segundo a empresa, tem elevado o patamar de vendas e contribuído para a manutenção de lojas atualizadas.
A Track&Field também vende produtos terceirizados de alimentação saudável, selecionados por uma curadoria própria, em algumas unidades e no comércio eletrônico. A iniciativa é uma das principais mudanças no modelo histórico de construção da marca, concentrado na comercialização de artigos esportivos próprios.
Corridas como estratégia de relacionamento
A maior parte dos eventos realizados pela empresa é formada por corridas de rua. Entre eles está o circuito Run Series, que tem 22 anos de existência. De acordo com os cálculos da companhia, consumidores que compram produtos e participam dos eventos apresentam receita potencial ao longo do relacionamento com a marca mais de 50% superior à de um cliente tradicional.
A TFSports, plataforma digital, de eventos e de experiências da empresa, também associa as corridas a uma relação mais profunda com a marca. Fernando Wagner, CEO da TFSports e vice-presidente de estratégia e novos negócios da Track&Field, afirmou que a participação em uma corrida, a compra de um produto ou o consumo em um café pode ampliar o espaço da empresa no guarda-roupa dos clientes.
Expansão orgânica
A companhia tem 457 lojas, cerca de 10% próprias, em todas as regiões do país e em Portugal. A Track&Field comercializa quase exclusivamente artigos desenvolvidos pela própria empresa, como camisetas, casacos e leggings produzidos com materiais de leveza, secagem rápida e proteção solar.
O CEO Fernando Tracanella, 54, que foi CFO e líder de expansão da empresa antes de assumir a presidência, atribui parte dos resultados à disciplina financeira. A empresa foi criada em 1988 por Fred Wagner, Ricardo Rosset e Beto Azevedo para vender camisetas aos colegas de dois dos fundadores em um colégio de elite de São Paulo. Em 2011, adotou o modelo de franquias, que viabilizou a expansão.
Tracanella disse que a empresa evita movimentos de fusões e aquisições por considerar que eles podem provocar perda de foco e choque de culturas. A companhia participou da onda de IPOs da B3 em 2020, mas a ação estreou abaixo da faixa esperada. Em 2026, o papel acumula desvalorização de cerca de 20%.
O setor de moda, calçados e artigos esportivos registrou crescimento de 8,6% em 2025, acima dos 6,4% do varejo restrito medido pelo IBGE, conforme o ranking Top 300 do Varejo Brasileiro, do IRTT. Alberto Serrentino, fundador do Instituto Retail Think Tank, relaciona o desempenho ao maior interesse por saúde e bem-estar.
A Track&Field também vê potencial na adoção do vestuário esportivo em situações cotidianas e no trabalho, tendência conhecida como athleisure. O Banco Safra recomendou a compra da ação em fevereiro, com previsão de alta de 27% até o fim do ano.


