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Economia

Repactuação altera juros e reduz passivo de sete empresas da Lava Jato

Mudanças nos acordos permitiram compensar R$ 4,4 bilhões em créditos tributários e retiraram R$ 1,2 bilhão em juros.

Repactuação altera juros e reduz passivo de sete empresas da Lava Jato
Foto: Reuters

Sete empresas que firmaram acordos de leniência com o governo federal por corrupção na Operação Lava Jato reduziram em mais de R$ 6 bilhões o passivo previsto nas indenizações. Desse total, R$ 1,2 bilhão corresponde a juros que deixaram de incidir sobre as dívidas.

A principal medida financeira foi a autorização para usar créditos tributários no pagamento das obrigações. A compensação alcançou R$ 4,4 bilhões. Também foram excluídas multas que somavam R$ 103,5 milhões.

Como os valores foram recalculados

A redução dos juros ocorreu após a troca do indexador das dívidas. A Selic, aplicada originalmente, foi substituída pelo IPCA nos valores devidos até 31 de maio de 2024. A partir dessa data, a Selic voltou a ser usada nos acordos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que a mudança preserva o valor real da dívida. O órgão também declarou que “não houve perdão da dívida nem redução das sanções” e que as três rubricas sancionatórias foram mantidas e corrigidas monetariamente.

A exclusão das multas incluiu R$ 20,5 milhões de multa moratória e R$ 83 milhões relacionados à cobrança simultânea de penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa e na Lei Anticorrupção. A CGU sustentou que, nesse segundo caso, a medida evitou dupla punição pelo mesmo ilícito.

Para seis das empresas, a redução total chegou a 50% do valor inicialmente previsto nos acordos. A Odebrecht, hoje chamada Novonor, teve a maior redução nominal em juros, de quase meio bilhão de reais, e estendeu o prazo de pagamento das parcelas para 2048.

Negociação no Supremo

As repactuações foram validadas em 2025, após negociações conduzidas pela CGU e pela Advocacia-Geral da União (AGU). O processo começou no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma ação apresentada por PSOL, Solidariedade e PCdoB.

A ação, identificada como ADPF 1.051, foi iniciada em março de 2023. O caso ficou sob a relatoria do ministro André Mendonça, que marcou uma audiência de conciliação em fevereiro de 2024. As sete empresas passaram a integrar os autos nessa etapa.

CGU e AGU enviaram as repactuações ao STF em setembro de 2024. Mendonça validou os acordos em agosto de 2025.

A controladoria informou que as empresas apresentaram documentos sobre dificuldades de pagamento associadas à retração dos setores de construção e infraestrutura, aos efeitos da pandemia e à conjuntura de mercado. Segundo o órgão, a renegociação buscou preservar a recuperação dos valores diante do risco de falência ou de longas disputas judiciais.

Empresas beneficiadas

Participaram das repactuações Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, UTC, Engevix e Braskem. Depois da Lava Jato, algumas mudaram de denominação: a OAS se dividiu em Metha e Coesa; a Camargo Corrêa passou a se chamar Mover; e a Engevix adotou o nome Nova Participações.

A Novonor afirmou que não houve desconto sobre o valor contratual, mas ajuste retroativo dos juros e uso de créditos decorrentes de prejuízo fiscal. A empresa disse ainda que, embora a legislação permita utilizar esses créditos em percentual de até 70%, o limite definido na repactuação foi de 50%.

A UTC informou que aproximadamente 35,24% de suas reduções vieram do pagamento de R$ 314,2 milhões com créditos de prejuízo fiscal, enquanto cerca de 14% decorreram da redução de juros e multa. Andrade Gutierrez, Braskem e Nova Participações afirmaram cumprir as obrigações previstas em seus acordos. O Grupo Mover não se manifestou. Coesa e Metha não responderam às tentativas de contato.

Para Ahmed El Khatib, professor de finanças da Unifesp, a manutenção dos benefícios depende da homologação pelo STF, do pagamento das parcelas, do cumprimento das demais obrigações e da ausência de inadimplência.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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